A revista Technology Review, editada pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), publica, anualmente, lista de jovens inovadores na área de tecnologia. Já estiveram nelas Mark Zuckerberg, do Facebook; Sergey Brin, do Google; e Max Levchin, do PayPal. Este ano há dez brasileiros.Estão lá David Schlesinger, 34, médico formado pela USP, cofundador da Mendelics, start-up que desenvolveu software para melhorar o diagnóstico de doenças genéricas raras; Eduardo Bontempo, 30, administrador formado pela FGV, que criou método e plataforma para planejar aprendizagem em salas de aula com alunos em diferentes níveis de habilidade; Guilherme Lichand, 28, ex-analista do Banco Mundial, que criou sistema para ajudar gestores públicos a colher informação da população usando telefones celulares de baixa tecnologia. Os outros, não menos importantes, são Gustavo Caetano, Lorrana Scarpioni, Lucas Strasburg Ferreira, Mário Sérgio Adolfi, Martin Restrepo, Vanessa Testoni e Wendell Coltro, que criaram inovações que facilitam a vida das pessoas.
São apoiados pelo governo federal por meio da FINEP (financiadora de Estudos e Projetos) e também, os invejo porque, além do Innovare, não há projeto semelhante para repensar o Judiciário, serviço público atravancado de processos, que obedece lógica nem sempre apreensível por quem é jejuno e com tendência a crescer ao infinito.
O universo da cultura jurídica é pródigo em teorização. Há milhões de artigos sobre minúcias técnicas e cipoal normativo que só cresce, não resolve conflitos humanos; sem propostas de simplificação, aceleração, racionalização, otimização, gestão mais eficiente. Onde está a criatividade no mundo do Direito? Será que não existe receita para tornar a Justiça mais acessível? Lembro sempre a ministra Eliana Calmon, ao observar que alargamos tanto a porta de entrada do Judiciário, que agora é difícil encontrar sua saída.
José Renato Nalini
Desembargador, presidente do TJSP
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