Óculos cor-de-rosa


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Quando se fala que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) vive em um mundo à parte, enxergando uma realidade que foge à percepção de praticamente toda a população francana, apenas os seus auxiliares mais diretos (e eles são poucos) reclamam. Porém, em meio a um furacão que chacoalha a administração municipal, o chefe do Executivo continua fazendo das suas, ignorando as verdadeiras necessidades da nossa Terra do Capim Mimoso e patrocinando iniciativas que só servem para sangrar o patrimônio público.
 
Enquanto Franca sofre com a falta de médicos — e estes têm que trabalhar sob condições indignas ao correto exercício da profissão —, o prefeito resolveu que o estádio municipal “Doutor Lancha Filho” precisa mais de dinheiro do que a saúde pública. Sem encontrar qualquer voz discordante, conseguiu aprovar na Câmara Municipal projeto apresentado em regime de urgência, autorizando o prefeito a alterar o orçamento fiscal para realizar despesas. Trata-se de uma verba de quase meio milhão de reais para realizar reformas no “Lanchão”.
 
Sob o ângulo de quem pena com a saúde, uma verdadeira leviandade, que contou com a anuência irresponsável dos nossos vereadores, os quais demonstram uma subserviência que chega a envergonhar. Nenhum se manifestou contrário, ninguém apontou outras necessidades que precisam de investimento e todos votaram a favor, aceitando inclusive uma urgência inexistente. Afinal, o dinheiro foi aprovado sem que a Prefeitura Municipal discriminasse o que será feito no estádio. A princípio, o campo deverá ser utilizado apenas no ano que vem, quando a Associação Atlética Francana disputar o Campeonato Paulista da Série A-3. O time estará em recesso até 2015, sem qualquer garantia de atividades na próxima temporada.
 
É bom lembrar que Alexandre Ferreira já enterrou mais de R$ 3 milhões num prédio para armazenar a merenda escolar, quando já existia estrutura para isso. Além disso, perdoou multas que a Empresa São José deveria recolher por descumprimento de contrato. É muita irresponsabilidade com o dinheiro do contribuinte, que vê os serviços públicos se deteriorarem.
 
Durante a greve dos servidores municipais, prefeito ressaltava que não poderia conceder um aumento maior em razão da lei de responsabilidade fiscal. E agora? A irresponsabilidade ao gerir os recursos públicos da administração municipal seria investigada, se estivéssemos em um País sério, com uma Câmara de Vereadores preocupada com o destino do dinheiro daqueles que concederam o mandato aos legisladores. Mas aqui as coisas seguem um rumo diverso: enquanto Alexandre Ferreira vê um mundo irreal, como se usasse lentes cor-de-rosa, os vereadores preferem discutir concessão de títulos e homenagens, deixando para os eleitores (e para a História) o julgamento de uma gestão pública que continua trocando os pés pelas mãos e ignorando as reais necessidades da população.
 

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