O médico intensivista da Santa Casa de Franca, Edson Teixeira Pinto de Abreu, rebateu nessa quinta-feira as acusações de que os profissionais do hospital estariam fazendo pirraça e dificultando a autorização de internação de pacientes. A acusação foi feita na semana passada por médicos do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” em depoimento prestado à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta para investigar problemas no atendimento municipal. Ontem foi a vez de Edson prestar depoimento.
Ele afirmou que, “para não terem trabalho”, muitos médicos do PS chegam até a mentir ou exagerar o quadro de saúde de um paciente para conseguir uma vaga de internação. “Eles inventam um quadro clínico para empurrar o paciente para Santa Casa. E não são os únicos, hospitais de cidades da região, como Ituverava e São Joaquim da Barra, fazem a mesma coisa quando veem que vão gastar muito com o tratamento.”
Segundo ele, esse tipo de ocorrência é comum. “A ponto da constância (sic) ser tamanha que os médicos acabam até meio desacreditados. Os profissionais aqui da Santa Casa ficam com o pé atrás mesmo.”
Para provar o que diz, o médico sugeriu aos três membros da CEI, os vereadores Valéria Marson (PSDB), Márcio do Flórida (PT) e Daniel Radaeli (PMDB), que solicitem as gravações feitas pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), responsável pela regulação das vagas. “Se vocês ouvirem as gravações, vão ver que até os médicos do Samu duvidam dos colegas do PS.”
Ele também confirmou a lotação constante do CTI (Centro de Tratamento Intensivo). “Hoje, por exemplo, estamos com todos os 17 leitos ocupados. Se acontecer de alguém precisar do CTI, a Prefeitura terá de comprar uma vaga na rede particular. Ontem mesmo ela fez isso.”
Ele ainda denunciou a falta de equipamentos e a constante manutenção dos aparelhos, em especial os respiradores. “Não temos, por exemplo, os monitores de acompanhamento, que quebraram e não foram repostos. Os respiradores também são muito usados e estão constantemente em manutenção.”
‘Erro da perícia’
Edson Teixeira Pinto foi um dos médicos que atenderam a jovem Luara Prieto, que morreu em janeiro depois de passar oito vezes pelo Pronto-socorro, ser duas vezes internada na Santa Casa e sofrer duas cirurgias. Para ele, ao contrário do que afirma o laudo da necropsia feito pelo perito do IML (Instituto Médico Legal), a jovem não morreu por conta de uma hemorragia, mas, sim, de infecção grave. “Foi uma fatalidade mesmo. Ela estava como uma infecção e não reagiu aos medicamentos. Os médicos que a operaram fizeram tudo certo, fizeram o que tinha de ser feito, mas ainda assim o quadro dela não evoluiu para uma melhora. Ela acabou vindo a óbito.”
Questionado sobre o laudo do IML, o médico disse que o legista pode ter errado. “Em hora nenhuma a Luara apresentou qualquer quadro de hemorragia ou sangramento. Esse laudo é duvidoso. Eu não concordo com o que ele diz. Para mim, o perito foi relapso. A morte dela não tem nada a ver com choque hipovolêmico”, disse.
Edson ainda contou que, quando os médicos da Santa Casa que atenderam Luara foram informados do resultado da necropsia, todos ficaram surpresos. “Foi uma surpresa a conclusão do legista. As afirmações do laudo não condizem em nada com o histórico clínico da paciente.”
Sobre o atendimento prestado à dona de casa Clésia de Araújo Novais, ele afirmou que a causa da morte foi uma infecção generalizada provocada por uma pneumonia. “Ela deu entrada com um quadro de acidose diabética, mas logo foi controlada. O problema é que depois desenvolveu uma pneumonia que evoluiu para um quadro de infecção grave. Ela acabou morrendo.”
Confirmações
Além de Edson Teixeira, ainda prestou depoimento o técnico de enfermagem do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”, Adilson Adriano Pinto. Ele confirmou as denúncias feitas por suas colegas na audiência de quarta-feira. Ele alegou que quase todos os profissionais do corpo de enfermagem são obrigados a fazer horas extras por conta da falta de enfermeiros. Ele também disse que o número de médicos é muito pequeno para o volume de atendimento.
Adilson ainda disse que a espera pelo resultado de um exame no PS costuma levar em média quatro horas, mas que às vezes pode ultrapassar as seis horas. “Isso é muito difícil para o paciente, porque a vaga de internação só é liberada quando os resultados dos exames chegam”, disse.
Os depoimentos de outros dois médicos também estavam previstos para essa quinta-feira, mas Thais Tsubochi e Carlos Augusto Donadelli enviaram um comunicado dizendo que não poderiam comparecer em virtude de outros compromissos de trabalho assumidos. Os dois devem ser reconvocados na semana que vem.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.