Faltam médicos e sobram ameaças aos funcionários do PS


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Por medo de represálias, os funcionários do PS preferem não se identificar, mas relatam várias agressões verbais e ameaças
Por medo de represálias, os funcionários do PS preferem não se identificar, mas relatam várias agressões verbais e ameaças
A população não é a única prejudicada pela falta de médicos e outros profissionais na Rede Pública de Saúde de Franca. Enfermeiros, técnicos, auxiliares e recepcionistas do Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz” também estão sentindo na pele as consequências deste déficit. Constantemente, a Polícia Militar é acionada por esses funcionários se queixando de ameaças ou agressões. Revoltados com a longa espera, pacientes atacam quem está na linha de frente do atendimento.
 
Por medo de represálias, os funcionários da rede preferem não se identificar, mas há muitos relatos de agressões verbais e ameaças. No último fim de semana, pelo menos um boletim de ocorrência foi registrado por uma funcionária do PS. Ela alega que a acompanhante de um paciente gritou, xingou, apontou o dedo em sua face e por pouco não a agrediu fisicamente. Na última quinta-feira, a PM também teve de ser acionada para controlar uma confusão no local.
 
Segundo uma funcionária, os profissionais do PS estão precisando de ajuda. “O lado nosso, dos funcionários, está muito difícil. Estamos trabalhando dobrado, deixando a nossa família para trabalhar manhã, tarde, noite e atender a população, mas estamos sendo agredidos e ameaçados todos os dias. Precisamos de ajuda. O pronto-socorro está se tornando um lugar perigoso de se trabalhar.”
 
Uma outra funcionária ressalta que ela e seus colegas não têm culpa da falta de médicos e outros profissionais no PS e que muitos ainda trabalham no local por “amor à profissão”. “Está muito complicado trabalhar. Vamos com medo. Tentamos de todas as formas atender à população, mas tem horas que não conseguimos porque não depende apenas de nós. Ficamos na linha de frente aguentando desaforos e pessoas apontando o dedo na nossa cara. Este negócio de ameaça está muito sério.”
 
Um dia após a grande confusão, o atendimento no pronto-socorro na tarde de ontem estava tranquilo. Mesmo assim, uma funcionária afirma que sofreu ameaças. “Aguentar o que a gente tem aguentado não é fácil. Hoje (ontem) só comigo foram duas ameaças. Em uma, a mulher caiu e o pessoal já começou a xingar. Não estava cheio e nem ficha ela tinha feito ainda. Em outra, a moça já estava sendo medicada e veio um familiar dizendo que ia chamar a polícia. Devido aos últimos acontecimentos, a população já vem armada.”

Por todos os lados
Nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde), a situação também está complicada. De acordo com a funcionária de uma unidade, as reclamações e agressões têm acontecido, na maioria das vezes, devido à população se revoltar com o corte de alguns serviços por falta de profissionais. 
 
“O serviço de curativo à tarde sempre existiu, mas não está tendo mais por falta de funcionário. Antes fazíamos também pré-consulta, que é verificar a pressão dos pacientes que iam passar com o médico, mas não estamos fazendo mais com todos. Portanto, os pacientes realmente ficam revoltados de chegar aqui precisando do serviço e não ter.”
 
Sem resposta
O Comércio tentou contato com a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, para comentar o assunto, mas as ligações ao seu celular não foram atendidas.

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