Médico do PS criticado por colegas nega erro: ‘Tudo o que fiz foi certo’


| Tempo de leitura: 3 min
O médico Vínio Cintra e Oliveira fez ataques velados aos colegas que criticaram sua decisão: ‘Estou podendo agora lavar a alma’
O médico Vínio Cintra e Oliveira fez ataques velados aos colegas que criticaram sua decisão: ‘Estou podendo agora lavar a alma’
Pela primeira vez, nesta quarta-feira, o médico Vínio Cintra e Oliveira, que trabalha no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” e assinou a alta médica concedida à dona de casa Clésia de Araújo Novais, falou sobre sua decisão. A medida foi alvo de críticas por parte dos outros três profissionais que atenderam a paciente. Em fevereiro, Clésia foi internada em coma depois de passar pelo PS e ser enviada para casa mesmo não conseguindo ficar de pé. Ela morreu três dias depois na Santa Casa de Franca. 
 
Em seu depoimento à CEI (Comissão Especial de Inquérito) aberta pela Câmara Municipal para apurar irregularidades no atendimento de Saúde ontem, Vínio negou ter errado e disse que todos os procedimentos adotados por ele foram corretos. 
 
Por cerca de duas horas, o médico respondeu aos questionamentos dos vereadores. Abusou das ironias e fez ataques velados aos colegas que criticaram sua decisão. 
 
Vínio abriu seu depoimento fazendo a apresentação de seu extenso currículo e deu mostras do que estava por vir. “Me formei em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais, fiz mais de 20 cursos de especialização no exterior. Atuei 18 anos no Hospital ‘Albert Einstein’, dei aulas na Escola Paulista de Medicina, dei mais de 100 palestras e aulas. Gostaria de saber se os médicos que me acusaram de errar disseram se têm pelo menos residência médica.”
 
O médico disse que começou a atender Clésia por volta das 6h45 e que decidiu dar alta à paciente depois de ter feito um exame clínico. “Examinei-a até com exame de fundo de olho. Achei que havia algo errado, mas, por conta do tempo que ela já estava no PS, julguei que o menos ruim para ela seria ir para casa e depois passar por um neurologista. Do contrário, ela ficaria mais 24 horas no PS.”
 
Sobre o fato de não ter esperado o resultado dos exames pedidos pelos outros médicos, ele afirmou que o diagnóstico deve ser clínico. “Os exames eram subsidiários. Nem sempre apontam a realidade do quadro. Eu a examinei e julguei que o melhor seria ela ir para casa, já que a regulação havia negado a vaga.”
 
Ao comentar o depoimento dado pelos demais médicos que foram unânimes em discordar de seu posicionamento, Vínio se disse vítima. “Estou podendo agora lavar a alma. Estou sendo atacado injustamente. Eu estou sofrendo o ataque de pessoas que não tem condição, capacidade e o nível de conhecimento igual ao meu.”
 
Ele tentou justificar a alta dada como uma forma de poupar a paciente. “Não acho que foi uma imprudência. Não havia porque manter a paciente mais quatro horas naquela maca.” Ele negou que tenha cometido um erro. “Tudo o que eu fiz foi certo. Se houve algum erro neste caso, foi essa paciente não ter retornar ao pronto-socorro. Se ela tivesse feito isso, eu teria internado.” 
 
O marido de Clésia, Willian Cabral Pinto, disse, em depoimento também à CEI em março, que insistiu para que o médico não desse alta a sua mulher. Em casa, assim que Clésia piorou, Willian ligou para o Samu que o orientou a voltar ao pronto-socorro apenas depois que Vínio já tivesse deixado o plantão. Sem alternativa, William procurou atendimento no Hospital São Joaquim, onde Clésia foi diagnosticada com crise de diabetes e entrou em coma, sendo depois transferida para a Santa Casa. 

Problemas
Além do atendimento a Clésia, Vínio ainda falou sobre a rotina no PS e confirmou as afirmações feitas pelos colegas a respeito da falta de profissionais e da dificuldade em obter leito para a internação de pacientes na Santa Casa de Franca. 
 
Ele também disse saber do esquema de pagamento irregular de horas extras, mas disse não fazer parte. “Eu sou médico, não atendo por produção. Eu fico sempre na Ala C, onde estão os pacientes mais graves. Eu não gosto de atender unha encravada e coisas que não são, de fato, relevantes. Mas tenho conhecimento de que isso existe. Não sei detalhar.”
 
Ele também reclamou da demora para o resultado de exames. “Na média, leva até quatro horas para que os resultados cheguem. Isso é muito difícil. Não temos instrumentos para o diagnóstico preciso.”

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários