Olhe ao redor. As economias americana, europeias, chinesa, passam por bom momento. De recuperação, as duas primeiras; e de crescimento ligeiramente moderado no caso da chinesa. E nossa economia brasileira, como fica nesta avaliação de quase metade de ano?
Não é preciso ser gênio para perceber que não vamos bem, apesar dos sucessivos pronunciamentos ministeriais afirmando que tudo está às mil maravilhas e tendo, de outro lado, comunidade de Pollyanas, a menina do romance de Eleanor H. Porter, que enxergava tudo cor de rosa. A inflação parece fugir do controle ao atingir 6,51% nos últimos doze meses, longe da meta de 4,5%, apesar da taxa básica de juros ter sido elevada pelo CMN a 11,5%. Em pronunciamento de 30 de abril último, a Presidente da República tergiversou sobre o papel da inflação na taxa de desenvolvimento da economia e no nível de emprego, discussão que está enterrada e encerrada há mais de 20 anos.
Por seu lado, a inserção brasileira na economia internacional já conheceu melhores dias. Hoje é pequena, medíocre, concentrada em ‘commmodities’ e alimentos a partir da demanda da China e, no caso da indústria automobilística, da Argentina. O consumo, como elemento dinâmico do crescimento interno perdeu a vez. Esgotou-se como instrumento, bastando verificar as taxas de endividamento das famílias brasileiras e o crescimento menor na expansão do crédito (para consumo), ressalvando-se os recursos destinados ao setor imobiliário. Quanto à política fiscal, falta-lhe eficiência no uso dos recursos e justiça tributária na cobrança.
Para não ir mais longe, é preciso dizer que o cidadão brasileiro não recebe do Estado aquilo que seria justo esperar em termos de educação e segurança, de saúde, de facilidade de locomoção etc, de uma parcela de dignidade, enfim. Macroeconomicamente, a nação está anêmica.
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP
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