Em 1984, quando tentava se viabilizar como candidato do PDS à presidência da República, em sucessão a João Figueiredo, o vice-presidente Aureliano Chaves se irritava quando lhe sugeriam que, segundo pesquisas, seu adversário Paulo Maluf estava mais forte entre os convencionais que indicariam o candidato.
‘Pesquisa é tigre de papel, e eu não tenho medo delas’ — dizia Aureliano, que, na convenção perdeu para Maluf, que seria nocauteado por Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, encarregado de eleger indiretamente o presidente.
Desde aqueles tempos, institutos de pesquisas têm importante significado no quadro geral. Chegaram a errar feio em 2004 e 2008 mas, dão tendências nada desprezíveis.
Imbatível meses atrás, Dilma Rousseff vem caindo nas pesquisas e começa a ser atropelada pelo ‘volta Lula’, fogo amigo de petistas que perderam espaço no seu governo.
O ex-presidente FHC acha que nem Lula tem a eleição como certa, caso seja candidato. As candidaturas de Aécio Neves e Eduardo Campos crescem, segundo os institutos.
Nesta sociedade globalizada e com comunicação rápida, a missão dos institutos de pesquisa é cada dia mais difícil.
Suas amostragens têm base científica e representam ‘fotografia do momento” em que os eleitores são consultados. Basta, no entanto, algo positivo ou negativo em relação a qualquer dos concorrentes, para que a fotografia mude.
Dilma é a mais sensível, já que reúne vantagens e desvantagens de governar. Se priorizar a campanha não governa; se governar pode perder as eleições.
O diferencial é que, agora, candidatos têm pesquisas próprias para corrigir curso.
São as ‘fotografias’ de cada momento, e o conjunto delas se o candidato não estiver habilitado a interpretar e tirar proveito se arrependerá, aliás, como deve ter ocorrido, há 30 anos, com Aureliano Chaves...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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