Pacientes esperam 24h por internação na Santa Casa de Franca


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Filha e genro de Maria Aparecida Lourenço aguardavam por informações sobre a paciente na porta da Santa Casa
Filha e genro de Maria Aparecida Lourenço aguardavam por informações sobre a paciente na porta da Santa Casa
Francanos continuam sofrendo para serem atendidos pela Rede Pública de Saúde de Franca. Uma mulher de 55 anos com fortes dores no abdômen e um homem, de 83, com dores do lado esquerdo do tórax ficaram quase 24 horas no Pronto-socorro “Álvaro Azzuz” aguardando por internação na Santa Casa.
 
A dona de casa Evaine Lourenço Freitas, 34, levou a mãe Maria Aparecida Lourenço, ao “Álvaro Azzuz” por volta das 13h30 da última segunda-feira. Segundo a filha, há um mês a mulher estava sentindo fortes dores na barriga, região que também apresentava inchaço, além de ter uma “bolha grande de água” na perna esquerda. No dia 7 de maio, a família levou Maria ao PS, onde ela passou por exames, mas nenhuma enfermidade foi diagnosticada. 
 
“Minha mãe está sentindo muita dor, falta de ar e não consegue comer nem ir ao banheiro. Ontem (segunda-feira) de manhã, ela foi a uma consulta que já estava marcada no AME (Ambulatório Médico de Especialidades) e o médico deu uma carta pedindo a internação, mas ele disse que para ela ser internada teria que passar pelo pronto-socorro”, contou Evaine.
 
A família de Maria Aparecida ficou surpresa ao chegar no “Azzuz” e não conseguir o encaminhamento para a Santa Casa, apesar de ter em mãos a carta do médico do AME. Evaine reclama também do atendimento prestado no PS. “Ela ficou lá tomando soro e fazendo exames, mas nem ficamos sabendo o resultado. Na manhã de hoje (ontem), um médico disse que ela estava com problemas no coração e no rim, sem especificar o que era, e que já tinha pedido a transferência para a Santa Casa. Como tinha passado o dia todo no PS, fui em casa buscar umas coisas e quando voltei, eles já tinham transferido minha mãe sozinha. Nem me avisaram.”
 
Ao chegar na Santa Casa, Maria Aparecida foi transferida para o Hospital do Coração, onde permanece internada.
 
Outro caso
O pai do sapateiro Rubens Tavares, 59, Francisco Gonçalves Tavares, chegou ao “Álvaro Azzuz” por volta do meio-dia da última segunda-feira sentindo dores no lado esquerdo do peito. O filho também reclama da falta de informação sobre o diagnóstico de Francisco, além da demora para encaminhar o paciente para internação. “Ele chegou e passou por três exames. Os médicos disseram que ele estava mesmo com um problema no coração, mas não me contaram o que era. Depois não sabiam se levariam ele para o Hospital do Coração ou para a Santa Casa, e assim fomos ficando no PS.”
 
Rubens reclama ainda do atendimento. “Meu pai queria desistir. Pediu para ir embora. Quando falei para o médico sobre a vontade do meu pai, ele respondeu que não estava segurando a gente e poderíamos fazer o que quiséssemos.”
 
Francisco foi levado para a Santa Casa no final da manhã de ontem, mas não ficou muito tempo no hospital. O paciente também foi levado para o Hospital do Coração onde deve, segundo Rubens, passar por um cateterismo hoje.
 
A reportagem questionou a Secretaria Municipal de Saúde no final da manhã de ontem sobre o motivo da demora para as internações de Maria Aparecida e Francisco, mas não recebeu retorno até o fechamento desta edição. A assessoria de imprensa da Santa Casa também foi indagada sobre a demora, mas a reportagem novamente não recebeu respostas.
 
Já a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Saúde disse, em nota, que “não costa no sistema da Cross (Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde) nenhum pedido de vaga para a paciente Maria Aparecida Lourenço. Sobre o paciente Francisco Gonçalves Tavares, esclarecemos que o pedido chegou hoje (ontem) às 9h35 e a vaga foi disponibilizada menos de 30 minutos depois, na Santa Casa de Franca”.

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