Semana passada estive em universidade estadual falando sobre aspectos jurídicos da adoção. Esta semana volto, para falar sobre retórica. São ricas fontes de aprendizagem, representadas pela trocas de experiências e conhecimentos.
Na abordagem da adoção acabou aparecendo a questão do aborto, assuntos com diversas fundamentações, inclusive contraditórias.
Sou favorável à adoção e contrário ao aborto. Não vacilei em sustentar minhas convicções filosóficas, psicanalíticas e jurídicas.
Seguiu-se debate de alto nível, com reflexões profundas e complexas que serviram, no mínimo, como provocações de posições consolidadas quanto a encarar a vida. Aliás, é louvável que seja assim, inclusive porque há posicionamentos diversos.
Exercita-se democracia de pensamento quando se reconhece pontos de vistas diferentes, aceita-se argumentação contrária.
Nesses momentos é comum querer-se ser dono da razão, e ignorar o outro. Hoje, busca-se valorizar o ‘diferente’, o que não é padrão, o normal.
Ganham força os adeptos e fundamentos lógicos, favoráveis ao aborto, e, sustentar contrariedade a essa maré não é tarefa fácil.
Aindo ouço ecos dos favoráveis ao aborto, mas acredito que também faço eco a eles. Os debates foram intensos, e, por isso, ricos.
Há necessidade de assumirmos responsabilidades pessoais e sociais dos atos que praticamos, e mesmo dos que não praticamos. É preciso valorizar a vida? Que tipo de vida? A vida útil? A vida produtiva? Em que momento a vida passa a existir, e, em qual finda? Quem pode decidir pela vida e sua interrupção?
Todas essas questões precisam ser encaradas sob o prisma da responsabilidade. De outra forma, nos tornaremos egoístas, narcisistas e mercantilistas.
Quando a polêmica se estabelece, surge a rica chance de conhecer o diferente. Aceitar se torna, então, o desafio. E são desafios que fazem crescer.
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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