População enfrenta calvário para registrar Boletim de Ocorrência


| Tempo de leitura: 2 min
Tomara que você não precise registrar nenhuma ocorrência no Plantão Policial hoje. Se precisar, prepare-se para perder parte do domingo. Se o histórico dos últimos finais de semana se repetir, a espera será longa. Será necessário muita paciência e abrir mão de preciosas horas de descanso. A explicação para a morosidade é simples: o Estado não acompanhou a evolução do crime. Se por um lado sobram casos de furto, roubos e golpes, por outro, não há material humano para dar conta da crescente demanda. A demora não é o único problema. A defasagem nos quadros da Polícia Civil reflete diretamente na segurança pública. Enquanto PMs e viaturas ficam plantados na delegacia esperando atendimento, bairros deixam de receber o patrulhamento preventivo.
 
Domingo, 4 de maio. Um cabo da Polícia Militar chegou ao plantão às 15h34 para elaborar uma ocorrência de embriaguez ao volante. Ele só foi liberado às 22h50. “Esta situação está se repetindo em todos os plantões. Quando chegamos por volta das 16, 17 horas, eles deixam a ocorrência para ser registrada pela próxima equipe, que assume às 19 horas. A demora está muito grande. Não sei se é falta de efetivo, descaso ou má vontade. Só vai sentir na pele quem precisar passar pelo plantão”, disse ele.
 
É comum ver quatro, cinco viaturas paradas diante da delegacia localizada na rua Tiradentes e grupos de policiais militares parados próximo à calçada aguardando a vez de serem atendidos. Enquanto isto, o policiamento nos bairros fica comprometido. “Estamos na linha de frente do combate e recebemos fortes cobranças para reduzir os índices de criminalidade, porém, fica complicado cumprir as metas. Estamos com as mãos atadas. Em 12 horas, estamos atendendo uma média de três ocorrências por conta da demora no plantão”, afirmou o policial. O ideal, segundo ele, seria atender de sete a oito casos no turno de trabalho.
 
Não foi um caso isolado. No mesmo domingo, um soldado estacionou diante do plantão às 12h15 com um caso de roubo. Ao notar o volume de gente e o tamanho da fila de atendimento, a vítima decidiu ir para casa almoçar e chegou a pensar em desistir de registrar o assalto. A ocorrência foi fechada quase dez horas depois. “A lentidão ocorre com frequência devido ao baixo número de policiais civis. As viaturas ficam em fila de espera para o atendimento de ocorrência. A demora reflete no trabalho preventivo nas ruas da cidade, pois a viatura demora para voltar ao patrulhamento”, disse o PM.
 
O comando da Polícia Civil admitiu o problema e culpou o efetivo reduzido pela lentidão enfrentada no Plantão Policial. A instituição tem hoje a metade dos homens que tinha há 20 anos.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários