11 de maio - A frase antiga “mãe é quem cria” ainda é aplicada nos dias atuais. Mãe pode ser um pai que também assume papel de mãe, como Carlos César Lima, ou mesmo uma avó que ocupa o espaço da mãe ausente. Pode ser uma mulher como Maria Lenir Siqueira, que deu à luz enquanto ainda era adolescente e depois quando já era avó. Pode ser mãe de coração, ou ainda mãe que deu a vida duas vezes ao mesmo filho, como Rita Parzewski, 57. O Comércio aproveita o Dia das Mães para publicar diferentes histórias de amor entre mães e filhos.
Mãe que dá duas ‘vidas’ à filha
Há dois anos a jovem advogada Carolina Parzewski, 36, luta contra uma leucemia mieloide aguda. Na semana passada, no dia 6, sua mãe, Rita, lhe doou parte da medula óssea que poderá curá-la. “Tenho certeza que vai dar certo, pois a gente se ama muito e esse amor vai fazer funcionar”, disse Rita, que apresenta 50% de compatibilidade com a filha.
O Dia das Mães da família Parzewski será no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde Carolina está internada desde o dia 23 de abril, e não tem previsão de alta. “Peço bastante oração para todo mundo para que possamos sair daqui logo. Enquanto não saímos quero ficar ao lado da minha filha, ninguém me tira daqui”, disse Rita.
‘Mãe-vovó-mãe’
O primeiro filho de Maria Lenir Siqueira, 53, nasceu quando ela tinha 14 anos. A última, quando ela tinha 43. No meio do caminho, quando Maria estava com 39 anos, nasceu seu primeiro neto que hoje a chama de mãe.
A história da dona de um bar na Vila Gosuen começa ainda no início de sua adolescência. Maria conta que quando o pai ficou sabendo de sua gravidez precoce ficou “muito bravo”, mas não deixou de acolher a filha quando ela deu à luz Luciano. “Naquela época não se conversava sobre essas coisas (relações sexuais)”, disse Maria Lenir, que atualmente tem seis filhos.
Vinte e dois anos depois, Luciano se tornou pai de Júnior, hoje com 14 anos. Porém, o primeiro neto de Maria perdeu a mãe quando tinha apenas um ano e três meses, e Luciano foi trabalhar na construção civil em outros Estados. “Meu filho ficou cinco anos em Manaus (AM). Hoje ele mora em Piumhi (MG) e há dois anos não vem nos ver. O Júnior é como se fosse meu sétimo filho, ele até me chama de mãe”, disse Maria.
Há dez anos Maria Lenir teve outra surpresa inesperada. “Todos diziam que estava diferente até que descobri que estava grávida. Não imaginava ter mais filho nessa idade”, disse a mãe da caçula Rafaela.
O almoço do Dia das Mães da família Siqueira promete ser movimentado. “Já tenho nove netos e vamos todos para a casa de uma das minhas filhas. Vai ser uma festa.”
‘Pãe’: pai e mãe ao mesmo tempo
Há sete anos Carlos César Lima, 52, que trabalha com costura de calçado no fundo de sua casa, é pai e mãe dos seus três filhos. Quando Carlos se divorciou, sua ex-mulher foi trabalhar na cidade de Varginha (MG), a 320 quilômetros de Franca. Os filhos Priscila, 27, Fabrício, 19, e Marcelo, 13, ficaram com ele e se encontram com a mãe a cada 40 dias quando ela vem a Franca visitá-los. “Foi difícil cuidar deles sozinho. Era uma correria para levar um em uma escola, o outro em outra, mas dei um jeito pois sempre coloquei meus filhos em primeiro lugar”, disse Carlos.
O “pãe”, uma mistura das palavras - e papeis - de pai e mãe, fala de seus rebentos com muito orgulho. Ele expõe quadros pela casa com boletins recheados de notas altas e fotos da filha mais velha e da netinha de um ano e meio. Além disso, Carlos carrega na carteira uma redação onde Marcelo expõe o orgulho que sente pelo pai. “O maior ídolo que considero não são pessoas vizinhas, nem mesmo pessoas famosas. Ele é meu pai!”, diz o texto.
A dedicação pelos filhos é tanta que Carlos teve apenas uma namorada nos últimos sete anos. “Meus filhos vêm em primeiro lugar.”
Atualmente, apenas o Marcelo mora com Carlos. Fabrício vive em Lavras (MG) onde cursa a faculdade de engenharia mecatrônica e Priscila mora em outra casa em Franca com o marido e a filha. “Nosso Dia das Mães vai ser na casa de minha filha que agora também é mãe”, contou Carlos.
Mãe de coração
Ser mãe é o trabalho de Aparecida Bernardes, 47, que trabalha como mãe social no Recanto do Aconchego, abrigo de crianças vitimizadas em Franca. Há cinco meses ela cuida de três casas da instituição com quatro adolescentes cada uma. Cidinha, como é chamada por todos no Recanto, disse que sua relação com os adolescentes é muito próxima de uma entre mãe e filho. “Gosto muito de agradá-los, faço bolo e coisas que eles gostam. Mas também dou bronca e ponho de castigo quando precisa”, disse a mãe social enquanto servia um bolo de cenoura à equipe do Comércio preparado por ela para os “filhos”.
Cidinha conta que a rotina em cada uma das oito casas que ficam dentro do complexo do Recanto do Aconchego é parecida com a rotina de uma casa comum. “Levo os meninos à escola, faço almoço, acompanho as lições de casa durante a tarde. No final de semana saímos para passear no shopping, enfim, rotina comum às famílias.”
A mãe social também é mãe real de dois filhos e até já é avó. Cheslei, 29, mora em Franca com a mulher e a filha de dez meses. Já Murilo, 22, trabalha em um laboratório em Bragança Paulista. Neste Dia das Mães, Cidinha estará de folga e irá almoçar com a família na casa de Cheslei. “Também terei um Dia das Mães na sexta (último dia 9), com meus meninos aqui do Recanto. Até já recebi cartinhas deles por causa da data”, disse.
Cidinha passa seis dias vivendo no Recanto e tem dois dias de folga. “Nem gosto de ir para minha casa porque fico sozinha. Sinto que tenho vocação para cuidar. Acredito que levo uma vida de doação por essas crianças.”
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