Agora ficou ainda mais difícil tentar esconder o sol com a peneira. Nenhuma publicidade será capaz de atenuar a situação em que vive a saúde pública em Franca. A última reunião da CEI (Comissão Especial de Inquérito) da Saúde da Câmara de Vereadores, anteontem, deixou bem clara a existência de um esquema de horas-extras que chegava a quintuplicar os salários de médicos sem que fossem cumpridas. Além disso, voltou a evidenciar problema sobre o qual a população tem reclamado há tempos: faltam médicos no Pronto-socorro “Dr. Álvaro Azzuz”, o que tem causado lentidão no atendimento e o acúmulo de pacientes.
A CEI ouviu os médicos Paula Borges Santos, Paulo Oliveira e Camilo Follis Santos. Em três horas de depoimentos na Câmara, eles revelaram detalhes do caos que impera na Saúde Pública de Franca. Médicos do PS, os três narraram como funciona o esquema de horas-extras ilegais pagas aos profissionais, descreveram a dura rotina que enfrentam no maior pronto-socorro da região, desmentiram autoridades e denunciaram a demora injustificada da Santa Casa de Franca em aceitar pedidos de internações.
São irregularidades que o Comércio vem denunciando há tempos e que a Prefeitura prefere relevar ou tratar como se fosse fatos normais e corriqueiros. Porém, a Prefeitura esquece que a população vem sentindo na pele o descontrole do comando da saúde em nível municipal: demora no atendimento, falta de profissionais nas UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) e dificuldade para se conseguir internações no principal hospital público da região, a Santa Casa de Franca. A CEI vem sendo importante para oficializar as denúncias que já chamaram a atenção do Ministério Público do Trabalho, que investiga a verdadeira indústria das horas-extras que se instalou no setor.
A falta de médicos no Pronto-socorro e nas UBS’s não pode ser tolerada. A Prefeitura rebate, apontando a baixa remuneração dos profissionais. Mas não faz nada para corrigir esta discrepância. Somente com um plano de carreira, reajuste das remunerações e regras claras de jornada e local de trabalho é que tudo poderá ser corrigido. Não com um esquema fraudulento pelo qual os salários de R$ 3 mil “subiam” para R$ 20 mil sem que a jornada de 40 horas semanais fosse cumprida. Pelas oitivas realizadas até agora há ainda a suspeita de que médicos estariam recebendo sem trabalhar, já que a assinatura do ponto não era fiscalizada.
As constatações são graves e não podem ficar impunes. Por isso, o que todos esperam é que a comissão não seja encerrada como a do transporte coletivo que, se não terminou em pizza, gerou relatórios finais diferentes e nada mais foi feito. Os levantamentos hoje dependem de uma ação do MP para se apurar as responsabilidades. As investigações da CEI da Saúde têm que ir à fundo, identificar os responsáveis pelos descalabros e puni-los.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.