A gênese da violência


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Tenho pensado muito sobre a violência - gratuita - que grassa por aí, e falado ainda mais da impunidade, que considero a maior motivação da falta de ética que define o brasileiro de hoje. Tudo explica, como tenho dito, a ação de bandidos que, sem qualquer emoção, cometem atrocidades, matam, estupram, aleijam, fazem o que se lhes dá na veneta para terem o que ainda não têm. Quanto mais assustam a vítima, mais se locupletam. E impunes. 
 
Corrêa Neves Júnior vê lixeiros da Leão/Seleta jogando sacos de lixo hospitalar no meio da rua. Resolve intervir. Considera com os coletores que o fazem, que não está certo. Poderia ter deixado para lá, mas fala. É agredido. 
 
Tivesse optado por deixar para lá, o episódio se encerraria ali. Só ele e sua consciência saberiam de sua opção. Os coletores continuariam agindo da mesma forma. Dediciu se posicionar pelo exercício cidadão. Fez o que todos nós, sem exceção, deveríamos fazer frente a qualquer descalabro. 
 
Quando os funcionários da Leão/Seleta bateram no rosto dele,  bateram no nosso. Avisaram, pela força, que aquilo ia continuar. Aceitar, esquecer, seria consagrar que certos estão os impunes. 
 
A guerra não tem que ser só contra  forma com que a Leão/Seleta escolhe seus colaboradores; ou contra o caos da saúde pública; ou contra, isoladamente, nada ou ninguém. Tem que ser contra quem permite, autoriza, o próprio Estado que não cumpre seus deveres constitucionais de garantir segurança, saúde plena e educação de qualidade; quando não pune com seriedade e rigor, e admite que quem se locupleta, deboche. 
 
Quando a violência se instala e o arcabouço legal garante, o homem de bem, amedrontado, se resguarda, se apequena, se fecha em casa na falsa ilusão de segurança. Torna-se a vítima pretendida pelo sistema. Particularmente, se cala, mas não pode perder a capacidade de se indignar. E tem que partir para a ação de voto pensado, decisivo, única arma da qual ainda não nos depojaram.  
 
‘Um pronto-socorro que atende mil pacientes por dia com apenas três médicos é claro que vai dar problema. Qualquer hora vai ter quebra-quebra mesmo. A população se revolta. E eu compreendo isso.’ (Paula Borges, médica da Prefeitura desde 2007, em depoimento à CPI da Saúde da Câmara, esta semana)
 
Cada um de nós sabe onde estão os problemas. Chega! Temos que repetir Corrêa Neves Júnior e, decentemente, agir, mas não basta mais só gritar.  
 
Júnior não reagiu à agressão que sofreu. Justiça com as próprias mãos não é o caminho. Estivesse eu lá com ele, teríamos apanhado juntos..
 
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A GÊNESE DA VIOLÊNCIA: A violência que ai está se resume em ter o que o outro tem, agir como o outro age, reagir como o outro reage. Segundo René Girard, professor de Stanford, ‘Os homens são expostos a um contágio violento que desemboca, frequentemente, em ciclos de vingança, violências em cadeia semelhantes porque todas se imitam. O verdadeiro segredo do conflito e da violência é a imitação desejante, (...) e as rivalidades ferozes que ele engendra’ (GIRARD, 2011).
 
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MAMÃES: Sou o resultado do que me deu minha mãe, d. Juraci, que também foi um pouco mãe de  várias gerações de estudantes do EETC. São os próprios ex-alunos que dizem: com ela não havia mentira, preguiça e falsidade. Saúdo-a como faço todos os dias, da mesma forma que também honro d. Lourdinha, minha mulher, mãe de meus filhos, nada a ver pelo domingo comercial que reservaram às mães, e sim, por que são ambas, minha gênese da paz. 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br

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