Protestos e violência


| Tempo de leitura: 2 min
Chamaram a atenção, ontem, as consequências da greve dos ônibus, que deveria durar 24 horas, no Rio de Janeiro. Além de milhares de pessoas prejudicadas, pelo menos 467 coletivos foram depredados, o que deve causar transtorno no transporte público na capital fluminense mesmo que a greve seja encerrada hoje, da forma como planejavam motoristas e cobradores. Afinal, pelo menos cinquenta veículos ficaram danificados e sem condições de tráfego. A população do Rio, que sofreu muito com a paralisação, pode mais uma vez enfrentar transtorno no dia de hoje com uma redução da frota causada pelo vandalismo.
 
Ninguém está aqui para criticar qualquer tipo de movimento reivindicatório. A própria Constituição brasileira garante liberdade de manifestação. Porém, a violência empana todo tipo de manifestação, ainda mais quando se sabe que os veículos foram destruídos dentro das garagens e, o que é pior, por manifestantes chamados “profissionais”. Como fizeram na greve dos professores, na ocupação do terreno da Oi e em todos os movimentos recentes, convocados através de páginas de redes sociais como o Facebook, eles entraram de carona na greve e promoveram os ataques que também deixaram uma cobradora ferida a pedradas.
 
A legitimidade da greve foi pelo ralo diante da ocorrência de tentativas de paralisar a cidade. O prefeito Eduardo Paes criticou a depredação, em coletiva concedida no fim da manhã. “Obviamente, esperamos que aqueles que estejam no movimento grevista o façam sem violência e sem piquete. É inadmissível que, a esta altura, tenham 325 ônibus alvos de vandalismo.” Porém, todos nós, que trabalhamos, pagamos impostos e esperamos uma melhoria dos serviços públicos, temos que nos indignar diante das imagens do caos que tomou conta do Rio de Janeiro. Em pleno ano eleitoral, deve-se indagar: a quem interessa este estado de coisas?
 
Além da utilização política de entidades sindicais e movimentos sociais, como sem-terra e sem-teto, cuja atuação se intensifica em anos de eleição, deve-se perguntar ainda para quem trabalham estes “agitadores profissionais”, que insuflam, comandam e executam atos violentos em diversos pontos do País. No balanço final, tais atos de vandalismo acabam prejudicando a população que necessita do transporte público ou então encontra agências bancárias fechadas por causa da baderna.
 
Os protestos de junho do ano passado, que começaram por causa do aumento das tarifas do transporte público em diversas capitais brasileiras, foram importantes ao levar os gestores públicos a cancelarem o reajuste, após a surpresa inicial. Depois, mesmo com os agentes de segurança oficial arrefecendo os ânimos dos primeiros dias, a violência passou a tomar conta e as depredações se ampliaram. A descoberta dos “manifestantes profissionais”, financiados e alimentados para provocar a baderna, não impediu a desmoralização de movimentos legítimos. E agora o mesmo se repete, trazendo uma preocupação quanto às próximas movimentações reivindicatórias.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários