Calote em Franca cresce três vezes mais que no Estado


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Consumidora passa por vitrine de loja no Centro de Franca, que funciona até as 22 horas de hoje
Consumidora passa por vitrine de loja no Centro de Franca, que funciona até as 22 horas de hoje
Às vésperas do Dia das Mães, segunda data mais importante para os comerciantes depois do Natal, dados mostram que o francano é pior pagador que o restante dos brasileiros. De acordo com números do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito), a inadimplência na cidade cresceu três vezes mais que o percentual de devedores do Estado de São Paulo e até do país, comparando os números de março de 2013 com o mesmo mês deste ano.
 
A quantidade de devedores na cidade cresceu 17,8% em março de 2014 em relação a março de 2013. No mesmo período, os inadimplentes em São Paulo aumentaram 5,4%, enquanto no país o aumento foi de 6,6%.
 
Para o economista Hélio Braga, a culpa da inadimplência em Franca crescer mais que no restante do país é dos baixos salários praticados na cidade, além da falta de planejamento financeiro. “A facilidade do crédito e a falta de preocupação com o futuro fazem as dívidas crescerem. Hoje as pessoas consomem por impulso, sem pensar em como vão pagar. Acredito que em Franca esse problema é maior, pois os salários aqui estão abaixo da média da região”, disse Braga.
 
O economista comentou ainda que a inadimplência de dívidas adquiridas no final do ano geralmente aparece no mês de março. “A inadimplência fruto das compras do Natal acabam entrando nas estatísticas de março. Além disso, tivemos um aumento de preços, não só no grupo de alimentos, mas também de itens básicos e serviços, que corroem o poder real de compra.”
 
Proteção
Os comerciantes de Franca estão sentindo na pele a alta na inadimplência na cidade. A responsável pelo setor de contas a receber do varejão Irmãos Patrocínio, Sara Morais, disse que o número de inadimplentes no local aumentou nos últimos cinco meses. Sara chegou a fazer o curso Venda Segura, oferecido pela Acif, para tentar diminuir o número de calotes.
 
“Senti a necessidade de alertar nossa equipe para evitar os calotes, como ter mais cautela, fazer mais consultas aos órgãos de proteção ao crédito e até melhorar a forma de abordar os clientes para identificar os caloteiros”, disse ela que, um mês depois de implementar as mudanças, já percebeu uma queda de 90% na inadimplência no varejão.
 
A responsável pelo setor financeiro da loja de materiais para construção Depósito Campo Belo, Rita de Castro Morais, também sentiu necessidade de estudar para poder conter o aumento no número de inadimplentes na loja. “Foi importante fazer o curso, principalmente para me atualizar sobre análise de crédito. Depois disso, percebi uma queda de 60% no número de inadimplentes”, disse Rita, que também participou do Venda Segura no ano passado.

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