Franca gastará meio milhão para bancar a Expoagro sem grandes shows


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Foto de arquivo mostra um dos shows do FestCultura, durante a Expoagro do ano passado, que foi um fracasso de público
Foto de arquivo mostra um dos shows do FestCultura, durante a Expoagro do ano passado, que foi um fracasso de público
A Prefeitura tentou vender os direitos para realizar a Expoagro por R$ 500 mil. Ninguém se interessou. Alexandre Ferreira (PSDB) não desistiu e fez um saldão: reduziu o valor para o preço promocional de R$ 300 mil. Mais uma vez, a proposta foi ignorada pelos promotores de eventos. Com o fracasso, o prefeito abrirá os cofres públicos e gastará mais de meio milhão de reais para bancar apenas a parte técnica da festa. O valor não inclui gastos com o contestado FestCultura e muito menos com a contratação de artistas de expressão. No ano passado, o município arcou com prejuízo semelhante.
 
Na terça-feira, 6, um dia após o prazo terminar e nenhum interessado em promover a exposição aparecer, o prefeito encaminhou ofício à Câmara informando o presidente Jépy Pereira (PSDB) da assinatura de um convênio com as Associações dos Produtores Rurais do Paiolzinho e do Bom Jardim para a promoção das atividades agropecuárias da Expoagro. 
 
O Comércio da Franca teve acesso com exclusividade ao documento que não era de conhecimento público. As atividades agropecuárias, no caso, são exposições de vacas, cavalos, torneios leiteiros, julgamento e encontro de muladeiros, provas de hipismo, exposição de cães e palestras.
 
A cláusula 3 do convênio estabelece que compete à Prefeitura a transferência dos recursos “a título de apoio financeiro” destinado a custear as atividades técnicas. O valor será repassado em parcela única, pela Secretaria de Desenvolvimento, em conta no Banco do Brasil em nome da Associação dos Produtores Rurais do Paiolzinho.
 
O acordo prevê a liberação de dois repasses distintos. A cláusula 6 diz que a Prefeitura vai destinar, “a título de pró-labore”, 582,89 UFMFs (Unidades Fiscais do Município de Franca) para a associação. A unidade está fixada em R$ 44,72. Só neste item, são R$ 26 mil.
 
Mas, o grosso do dinheiro está previsto na cláusula 10, que prevê a transferência à associação de 11.072,13 UFMFs, o que equivale a R$ 495 mil, para custear as atividades técnicas.
 
A associação usará o dinheiro para pagar taxas, equipe de varrição, limpeza e fiscalização de banheiros, hotel e alimentação de jurados, confecção de impressos, remédios, contratação da apresentação dos “animais da fazendinha”, locação de cochos e mão de obra para organização de baias, alimentação e “cama” dos animais, entre outros serviços.
 
Não há referências a despesas com o FestCultura, o que, provavelmente, resultará em outros gastos para a Prefeitura na tentativa de promover artistas locais. No ano passado, o evento foi fiasco de público e alvo de reclamações dos comerciantes, que ficaram no prejuízo por causa da ausência de consumidores.
 
O convênio foi sido assinado dia 24 abril, ou seja, 11 dias antes do prazo final para a apresentação de propostas de empresas interessadas em organizar a feira. Assinaram o documento o secretário de Desenvolvimento, Carlos Arantes, os presidentes das duas associações e três testemunhas.
 
Carlos Arantes foi procurado para explicar o que é o “pró-labore” e como os mais de R$ 500 mil vão ser usados, mas não foi encontrado. Um homem que se identificou com gerente do Parque “Fernando Costa” disse que ele não estava na Secretaria no período da tarde e que não sabia se voltaria. O secretário não retornou à ligação.

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