Realidade cruel e dolorosa


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Não deve ser motivo de reclamações o fato de alguns países estarem alertando seus cidadãos para os cuidados que devem tomar quando viajarem ao Brasil para a Copa do Mundo. A violência continua sendo um de nossos maiores problemas, em grande parte ligada a ações criminosas. Porém, o grande destaque, agora, passa a ser o nosso trânsito, que continua matando milhares de pessoas a cada ano.
 
A pouco mais de um mês para o início do Mundial, países como Canadá, Bélgica e Nova Zelândia alertam sobre o perigo do trânsito brasileiro. As estradas do País estão entre as mais mortais do mundo. Segundo o Mapa da Violência 2013, foram quase um milhão de pessoas que morreram no trânsito entre 1980 e 2011. Para o Canadá, no Brasil “dirigir é perigoso devido aos hábitos agressivos, um número significativo de caminhões, ultrapassagens imprudentes, velocidade excessiva, faixas mal sinalizadas, construção, veículos na direção errada em pistas de mão única e estradas mal conservadas”.
 
No conselho emitido pela Bélgica, há um alerta sobre o perigo de pedir informações, enquanto a Nova Zelândia trata do perigo de “dar bobeira” no trânsito. Já os EUA focam em alertas sobre falhas no ordenamento jurídico. “O reforço de leis de trânsito varia do esporádico ao inexistente, então motoristas não devem presumir que os outros vão necessariamente seguir até mesmos as mais fundamentais e amplamente aceitas regras rodoviárias”.
 
Fora estes “conselhos”, países como o Reino Unido e França destacam a violência, tema de inúmeras reportagens internacionais, sempre em torno da realização da Copa do Mundo. Não é nada que deva causar indignação, porque os conselhos se baseiam em verdades e os alertas servem também aos brasileiros, diariamente acossados pelo perigo e acuados pela marginalidade. Trata-se de uma preocupação legítima, pois cidadãos são agredidos em plena luz do dia por qualquer banalidade sem que haja uma contrapartida da Justiça brasileira. 
 
Com os aparatos de segurança desfalcados e sucateados, com a criminalidade usando armas e táticas distantes anos luz das forças de segurança oficiais, o crime ganha terreno e pode colocar em risco a integridade dos estrangeiros atraídos pela Copa. Qualquer revolta neste momento não deve ser dirigida aos países estrangeiros, e sim às nossas autoridades que permitem a manutenção de um Código Penal arcaico, leniente e com verdadeiras brechas capazes de permitir que marginais condenados se safem facilmente de suas sentenças. 
 
O Brasil exige uma legislação mais dura e alinhada com os tempos em que vivemos. Qualquer ação no sentido de melhorar a segurança pública passa por leis mais duras e que realmente punam ações criminosas, inclusive no trânsito. Quem bebe, dirige, atropela e mata merece a mesma punição de quem saca de uma arma e tira a vida de seus semelhantes. Estão certos os países que divulgam estes alertas. Errados estamos nós, que ficamos à mercê da violência diariamente e não fazemos valer a força de nossa voz para que este quadro seja definitivamente alterado.
 
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