Espera por consulta com psicólogo na rede pública chega a três meses


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Não é apenas para as consultas médicas que há filas e muita espera na rede pública de Saúde de Franca. As pessoas que precisam de tratamento psicológico também têm de enfrentar uma verdadeira via-crúcis. Entre o encaminhamento, o agendamento e o início do tratamento, a espera pode levar meses. 
 
A diarista Sheila das Graças Teixeira, de 62 anos, que o diga. Ela está há quase três meses tentando começar um tratamento psicológico. Com depressão e princípio da Síndrome do Pânico, ela procurou a UBS (Unidade Básica de Saúde). Lá, o clínico geral a encaminhou para um psiquiatra. A consulta aconteceu no dia 27 de fevereiro. Para ajudar Sheila a retomar sua vida, o médico pediu que ela passasse por tratamento psicológico. Sem recursos para custear as sessões, a diarista procurou a rede pública municipal. 
 
O primeiro desafio foi conseguir dar entrada no pedido. Sheila precisou ir três vezes à UBS da Vila São Sebastião. Nas duas primeiras, não conseguiu ser atendida. “A fila era grande e avisaram para quem estava no final para voltar outro dia.” Da última vez, Sheila se preveniu. Na última segunda-feira, chegou à UBS às 12 horas para pegar um bom lugar na fila. 
 
O agendamento só começa às 17 horas. Sheila era a quarta. “Fui atendida às 17h15. Mas achei que já iam me informar que dia começaria meu tratamento. Não foi o que aconteceu. Eles disseram que ainda vão ver e me ligarão para marcar a data, o que pode levar até três meses para acontecer.”
 
Uma sapateira de 32 anos também enfrenta um drama. Separada recentemente do marido com quem tem um filho de 4 anos, há um mês, ela tenta conseguir tratamento para a criança. “Meu ex não se conforma com a separação. Está colocando meu filho contra mim sempre que o garoto vai para a casa dele nas visitas. O menino volta e só apronta.”
 
Por conta disso, o caso acabou indo parar no Conselho Tutelar. “Foram eles que deram o encaminhamento de urgência. Meu filho só tem 4 anos e não sabe o que está acontecendo. Ele é o mais prejudicado. Precisa de um psicólogo até para poder dar um laudo para que a Justiça suspenda as visitas ao pai ou determine que elas sejam monitoradas.”
 
Mas nem o encaminhamento do Conselho ajudou a sapateira a conseguir o agendamento. Depois de passar quatro horas na fila da UBS na última segunda, ela descobriu que, para ter direito ao psicólogo, o menino terá que passar por um pediatra. “O atendente disse que só o encaminhamento do Conselho não adianta, ele precisa do encaminhamento médico. Terei que esperar ainda mais.”
 
Ela disse estar preocupada com a condição da criança. “Ele está sofrendo. Eu sei. E vai ser assim até quando?”, questiona. 
 
A secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, foi procurada para comentar o caso. Mas na Secretaria, informaram que ela está de folga até a próxima quinta-feira. Um e-mail com pedido de informação foi encaminhado à Assessoria de Comunicação, mas não houve resposta.

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