Teimosia crônica


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O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) deu mais uma prova de que, ao contrário da maioria dos seres (humanos ou não), não consegue aprender com os próprios erros. Percebe-se, em muitas de suas decisões, uma teimosia crônica que ele — e talvez seus interlocutores mais próximos — deve acreditar ser persistência. O episódio envolvendo a Expoagro novamente demonstra a sua total falta de sensibilidade e reconhecimento da realidade da prefeitura que dirige. Pelo segundo ano consecutivo, a principal — se não a única — festa popular aguardada pelo francano não trará ao município artistas de renome. Mais uma vez, por absoluta falta de interessados em organizá-la, a Expoagro deverá abrigar a segunda edição do Fest Cultura, programação que se mostrou totalmente equivocada no ano passado.
 
Mais uma vez o prefeito e seus assessores insistiram no erro. Criaram duas licitações para a contratação de shows para a feira agropecuária, mas em razão de uma série de cláusulas determinadas pela Copel, afastou qualquer interessado em assumir a parte de entretenimento do evento. O que nos parece é que o interesse era este mesmo. Afinal, em vez de programar a licitação com uma antecedência capaz de permitir aos interessados tempo para fechar a agenda de shows e cumprir uma série de trâmites necessários para tal, preferiu repetir a mesma estratégia do ano passado: deixou tudo para a última hora, talvez torcendo para ninguém se interessar.
 
Além de exigir um valor considerado muito alto para permitir que a população participasse de forma ativa da Expoagro, a licitação ainda criava um comitê gestor que poderia interferir na grade de artistas contratados, vetando alguma atração. Assim, ninguém em sã consciência iria participar do certame, já que se sabe que a contratação de cantores e grupos em tão pouco tempo torna-se inviável por causa das agendas dos artistas. Quem conhece este meio entende que nada é fácil: as datas das atrações de primeira linha precisam ser agendadas com grande antecedência. Então, nada que o prefeito possa falar a respeito vai apagar a nítida impressão de que ele não deseja a participação do povo que o elegeu — e agora o vaia em qualquer aparição pública — numa festa que já foi a mais esperada da cidade.
 
Com isso, perdem todos: o francano, que fica sem uma opção de divertimento; entidades assistenciais, que lucravam com a venda de comidas e bebidas no interior do Parque ‘Fernando Costa‘, e os cofres da Prefeitura, pois no ano passado houve um prejuízo de R$ 500 mil, bancado pelo dinheiro do contribuinte. O Fest Cultura, que merece espaço dentro de outro estilo de realização, no ano passado não foi capaz de atrair o público que os shows dos anos anteriores levaram. Causou um prejuízo enorme, custando um dinheiro que poderia ter sido investido em outras áreas, como salários dos servidores e melhorias no serviço público de saúde. O prefeito Alexandre Ferreira ainda não entendeu que recebeu autorização para gerir a cidade, mas nunca um cheque em branco que lhe permita fazer tudo o que lhe dê na telha. Falta-lhe uma humildade que, com certeza, a história vai se incumbir de lhe cobrar no futuro.
 

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