‘Fui lá para ser curado e fui roubado’, diz paciente da Santa Casa


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O pedreiro Valter Vilela Seabra, 50 anos, mostra o Boletim de Ocorrência do furto de sua carteira
O pedreiro Valter Vilela Seabra, 50 anos, mostra o Boletim de Ocorrência do furto de sua carteira
O pedreiro Valter Vilela Seabra, de 50 anos, sofreu um acidente com uma serra elétrica no último dia 23 de abril, enquanto trabalhava, e perdeu quatro dedos da mão esquerda. Levado às pressas para a Santa Casa de Franca pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), diz se lembrar de ter entregue a um enfermeiro todos os seus pertences antes de subir às pressas para o centro cirúrgico. Após o trauma do acidente, a surpresa. “Minha carteira, com R$ 450, não foi devolvida”, afirma. “Meus outros pertences foram todos devolvidos no mesmo dia da operação: roupas, celular, até minha corrente, que vale mais do que o que estava na carteira. O problema é que fiquei sem o dinheiro, meus documentos e o documento da minha moto”, disse o pedreiro.
 
Inconformado com a situação, o paciente e sua família entraram em contato com a direção do hospital, mas não obtiveram sucesso. “Segundo a Santa Casa, eu perdi minha carteira no Samu e não entrei com ela no hospital. Só que isso não é verdade, tiraram o xerox da minha CNH assim que cheguei, para preencher o formulário.” 
 
Sem aceitar a resposta obtida, Valter resolveu formalizar a denúncia e procurar a polícia para registrar um Boletim de Ocorrência no dia seguinte. “Não acredito que vá adiantar alguma coisa para mim, mas posso acabar ajudando outras pessoas. Tem que ter um jeito de não deixar que esse tipo de coisa aconteça.”
 
O pedreiro também entrou em contato com o vereador Zezinho Cabeleireiro (PPS), que prometeu ajudar. “Liguei para o diretor administrativo da Santa Casa, Marcos Haber, e sugeri que fossem feitos procedimentos (de segurança) e instalados armários para guardar os pertences dos pacientes para evitar esse tipo de situação. Ele me disse que ia analisar e tomar providências”, disse o vereador.
 
“Também conversei com o jurídico da Câmara para ver o que podemos fazer. Acho que quando o Samu vai socorrer a pessoa, alguém já poderia conferir seus pertences. Às vezes, não tem ninguém da família por perto e coisas como a que aconteceu podem se repetir. Estamos estudando para ver o que pode ser feito”, completou Zezinho.
 
De acordo com Valter, nenhum formulário especificando quais itens foram recolhidos e a quem foi entregue é oferecido. “Eles tiram suas roupas e tudo o que você tem e põem numa sacolinha”, afirma. “Eu estava aleijado, fui lá para ser curado e fui roubado. Alguém ter que ser responsabilizado.”
 
Sem resposta
Procurada pela reportagem, para saber qual sua postura em relação ao fato e quais as garantias dadas aos pacientes que entregam a funcionários os seus pertences, a Santa Casa não se manifestou até o fechamento desta edição. Um e-mail foi enviado na manhã de ontem e dois contatos telefônicos foram estabelecidos com a assessoria de imprensa. A informação era que o responsável por esclarecer as questões estaria em uma reunião.

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