Quem levou o filho ao Pronto-socorro Infantil neste fim de semana de feriado prolongado precisou de muita paciência para enfrentar horas de espera. Com apenas metade dos médicos trabalhando, as filas de pacientes em busca de atendimento eram enormes. Desde a noite de sexta-feira até o final da tarde de domingo, entre a entrada e o atendimento efetivo, bebês e crianças chegaram a esperar até sete horas, segundo seus pais. Nem o acionamento da Polícia Militar resolveu.
A atendente de telemarketing Verônica Maria de Melo Aquino, de 35 anos, foi três vezes ao PS Infantil. Com o filho de 1 ano e 7 meses doente, na noite de sexta-feira, ela decidiu procurar um pediatra. “Cheguei do trabalho e vi que ele estava com febre e chorando. Fui ao PS Infantil, mas desisti assim que cheguei e vi o tamanho da fila.”
Como a criança não melhorou, no sábado de manhã, novamente ela foi ao PS. “Acordei cedinho, cheguei eram umas 7h30, mas a espera já estava lotada. Como não ia trabalhar, esperei. Só entrei no consultório quando eram 14h30. Passei o tempo todo esperando com o meu filho com febre no meu colo.”
Na consulta, segundo ela, o médico receitou um antitérmico e um anti-inflamatório. “Ele disse que não era nada demais e que a febre ia baixar, mas não baixou. Então, voltei no domingo.” Verônica chegou por volta das 10h30. E, mais uma vez, muita espera. Desta vez, cansada e irritada com o descaso, ela resolveu chamar a polícia. “Liguei mesmo. Eram muitas crianças lá esperando. Não tinha mais como colocar gente. As mães se sentavam na calçada com os filhos doentes. Muito triste. Liguei para a polícia, mas disseram que não iam atender.”
Depois de muito reclamar, Verônica conseguiu ser atendida às 14h15. “De novo, o médico só receitou antitérmico. Hoje (ontem), como meu filho não melhorou, fui a uma UBS. O pediatra examinou, pediu exames e constatou que o meu filho está com pneumonia.”
Segundo ela, as atendentes do PS informaram que o problema foi a falta de médicos. “Elas disseram que muitos pediram demissão e, por ser feriado prolongado, não conseguiram substitutos.”
Outra mãe que sofreu foi a dona de casa Izabel Cristina da Silva. O seu filho de 7 anos tem bronquite e estava com crise e muita dificuldade para respirar. Ela foi ao PS Infantil também na manhã de domingo. “Chegamos eram umas 11 horas. Já estava lotado. Esperamos até as 14 horas e nada. Aí a atendente sugeriu que voltássemos mais tarde. Resolvi ir para casa. Depois, voltei às 16h30, mas a situação era a mesma. Como a crise estava sob controle, resolvi medicá-lo em casa mesmo. Não dava para esperar naquela multidão.”
Segundo as duas mães, nas vezes em que compareceram ao PS Infantil, mais de 80 crianças esperavam atendimento.
Sem resposta
A Secretaria Municipal de Saúde e a Assessoria de Comunicação da Prefeitura foram procuradas para explicar o que houve, mas não responderam aos e-mails enviados pela reportagem.
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