Fuga de talentos


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É essencial que haja pagamento de mensalidades à universidade pública. Tenho levantado essa bandeira, e, aos contrários, tenho argumentado sobre o padrão da maioria de veículos nelas estacionados. Nas universidades públicas estão os ricos, ou na pior das hipóteses, a classe média, ambos em condições de arcar com pagamento de anuidades. 
 
Reitores afirmam que as universidades públicas não têm recursos para a pesquisa e, que mal conseguem pagar salários de funcionários. Dizer que se privilegia os mais dedicados, os mais preparados, pode até ser verdade, mas é nítido que o dinheiro que se aplica no ensino superior para quem não precisa de ajuda, falta na base, no ensino público. O quadro é contraditório: até o ensino médio, os abastados estudam na escola particular. Melhor preparados, vão à universidade pública. Pobres estudam na escola pública, e sem mesmas condições dos alunos de particulares, acabam nas universidades privadas. 
 
Não podemos mais aceitar isso. Não há meios de exigir que formados pela universidade pública retribuam, com trabalho, os investimentos que recebeu. Além disso, muitos desses vão para o exterior, na chamada ‘fuga de cérebros’. Quando voltam, se é que acontece, estarão ainda mais desvinculados da obrigação, principalmente porque terão no currículo o nome da instituição exterior, como se a nossa universidade fosse apenas pequeno degrau já superado. 
 
Se não há forma de exigir contrapartida dos formados; se não como inverter o processo, canalizando ao ensino básico recursos suficientes; se escolas públicas não têm como dar o mesmo padrão de ensino das particulares; nada mais justo que optar pelo que é radical: exigir pagamento de anuidade. Que o aluno apresente Declaração de Renda para comprovar a falta de recursos! Incentivaremos, assim, a melhoria do ensino básico e daremos duro golpe na ‘fuga de cérebros’ que atinge nosso país. 
 
Vitor Sapienza
Deputado estadual (PPS), ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, economista

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