Todos os governos têm o dever de prestar contas de seus atos à sociedade. A comunicação desejada, no entanto, está muito longe das peças de marketing que hoje se produz para massagear o ego dos que governam e enganar o povo.
Em vez da propaganda que dá a impressão que falam de outro lugar, os espaços publicitários governamentais deveriam, obrigatoriamente, ser usados para comunicados de interesse da população.
O governante e seus auxiliares teriam que ali comparecer para orientar , prestar contas ou justificar o que não conseguem fazer.
É preciso estabelecer o olho-no-olho, acabar com a falsa imagem de que a autoridade é infalível e bem intencionada, que acerta sempre e não precisa ouvir reclamos.
A voz das ruas, que os governos dizem ‘entender’, está cada dia mais ruidosa e ameaçadora.
A falta de respostas para as reivindicações populares tem criado caldo de cultura para novas passeatas e protestos mais violentos. O principal problema é que as ladinas autoridades parecem fingir que não entendem a gravidade.
Temos um grande país, tanto em extensão territorial quanto em oportunidades e diversidade.
É preciso muita seriedade e isso é o que tem faltado. Os sucessivos escândalos de corrupção, o divórcio dos governos e dos políticos em relação ao povo e a falta de solução para os problemas básicos nos levam a um terreno escorregadio e perigoso.
O cidadão não quer propaganda ufanista, partidária ou eleitoreira. Ele precisa de informação que possa orientar o seu rumo de vida.
É para isso que deveriam servir as verbas publicitárias e a formidável estrutura de comunicação oficial.
Estamos fartos de ouvir autoridades e propaganda contando os ‘feitos’ do governo.
Precisamos saber o que os governos estão realmente fazendo, como estão fazendo e até o porquê não fazem coisas que são de sua obrigação. Sem isso, a explosão social que hoje se ensaia, será inevitável...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
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