Não é de hoje que repisamos aqui, neste mesmo espaço, a necessidade de medidas efetivas e práticas contra a escalada de violência que a criminalidade vem patrocinando no País. Décadas atrás a situação era restrita a grandes centros, mas hoje ninguém está a salvo. O maior exemplo é a ação do crime organizado em cidades pequenas, estourando caixas eletrônicos na calada da noite, levando pânico a municípios com menos de 50 mil habitantes. Hoje, o brasileiro se sente ameaçado nas 24 horas do dia, seja ao virar uma esquina ou até mesmo dentro de sua própria residência. Como se pode perceber no noticiário policial cotidiano, ricos e pobres tornam-se vítimas e potencializam a sensação de insegurança geral.
Além disso, a expectativa dos brasileiros em relação à segurança pública continua pessimista, de acordo com a pesquisa divulgada na última semana pela CNT (Confederação Nacional do Transporte). Segundo a sondagem, 40,3% da população acreditam que a segurança no país vai piorar nos próximos seis meses. Com relação a outros itens, como educação, renda mensal e emprego, a população apresenta expectativa de melhoria. De acordo com o levantamento, 36,8% das pessoas avaliam como regular a segurança pública na cidade em que residem; 22% consideram péssima; 20,8%, boa; 15,1%, ruim; e 5,1%, ótima. Na mesma pesquisa, 57,8% acreditam que a violência aumentou muito na cidade em que reside. A pesquisa da CNT ouviu 2.002 pessoas entre os dias 20 e 25 de abril, nas cinco regiões brasileiras, em 137 municípios de 24 unidades da Federação. A margem de erro é 2,2 pontos percentuais.
Como se pode ver, a situação atual reflete na sensação do brasileiro. Diante deste quadro, urgem medidas que realmente contemplem o temor da população e apontem saídas para o que vivemos atualmente. Não há mais espaço para paliativos. A maioria das medidas passa pelos nossos gestores públicos, administradores ou legisladores, que precisam ouvir a voz desesperada da população brasileira, antes que se chegue a um caminho sem volta. O que vem ocorrendo no Rio de Janeiro, que foi surpreendido com a reação do crime organizado à instalação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) nas favelas da capital fluminense, mostra que a solução passa pelo nosso código de leis.
O Código Penal Brasileiro, que remonta a uma realidade de 70 anos atrás, precisa ser adaptado aos problemas atuais. Crimes necessitam ser punidos com mais rigor; e brechas na lei que beneficiam criminosos têm que ser fechadas. Não podemos mais admitir que marginais violentos consigam a liberdade em razão da leniência da nossa Justiça. Bandido perigoso tem que ser segregado da convivência social sem contemplação. Quem mata sem qualquer remorso ou piedade não merece ser beneficiado. Tem que ser tratado da mesma forma como trata suas vítimas. Enquanto as leis no País não forem mais duras, mostrando ao criminoso que ele pagará efetivamente por seus crimes, dificilmente conseguiremos trazer de volta a sensação de segurança que o brasileiro perdeu.
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