Três bairros com um único acesso e uma série de problemas no trânsito. Assim tem sido a rotina nos Jardins São Luiz, São Luiz II e Palestina, na zona leste da cidade, desde que a Prefeitura de Franca modificou o trânsito na região, fechou entradas e construiu uma nova rotatória para ligação aos bairros.
As mudanças foram executadas no começo deste ano e ganharam a reprovação de moradores e motoristas, que disseram não ter sido consultados. A indignação é tanta que já gerou a criação de um abaixo assinado e chegou aos microfones do programa Hora da Verdade Itinerante, da rádio Difusora AM, que foi transmitido do Jardim São Luiz no último dia 25 de abril.
Segundo relatos feitos ao apresentador Leandro Vaz e ao comentarista Corrêa Neves Júnior no programa, o trânsito no bairro ficou mais confuso e perigoso após as implantações feitas pela Prefeitura.
A secretária Rejane Barbosa diz que cansou de pedir atenção para o caos gerado pelas alterações. Entre elas está o fechamento de um acesso na rua José Franchini, próximo à Casa São Camilo de Lélis. “Queremos a reabertura da via. O bairro não é um condomínio fechado. Estamos com uma única entrada e saída”, disse a moradora que coletou 200 assinaturas favoráveis à liberação do trânsito no local. “Ficou muito ruim dessa forma, um transtorno. Estamos demorando mais para sair do bairro sentido à avenida Santa Cruz e ao Jardim Paraty”, enfatizou a moradora do Jardim Palestina, Edna de Oliveira.
Segundo o pespontador Joviano Alves Rodrigues, o fechamento da saída tem feito com que os motoristas e pedestres se arrisquem ao atravessar por atalhos improvisados. A Prefeitura inclusive construiu uma valeta para evitar a passagem de veículos e pessoas, porém o obstáculo não foi suficiente para conter a população que por comodidade continua passando pelo local, mesmo com o registro de ocorrências. Se não bastasse o risco de queda na valeta, há perigo por se tratar da rodovia João Traficante do outro lado. “Ficou muito longe para a gente atravessar sentido o Ana Dorothea, então todo mundo passa por aqui. O ideal seria que tivesse uma passarela”, disse a aplicadeira de ilhós Paula Cristina Bonfim da Silva, que realiza essa travessia quatro vezes ao dia.
Minirotatória lotada
Com a interrupção da passagem da rua José Franchini diretamente para a rotatória na saída para Ibiraci (MG), os motoristas precisam agora se deslocar pela rua Mary Nogueira Ribeiro Ferreira até a uma pequena rotatória construída mais a frente, que devido o grande fluxo de veículo ficou sobrecarregada. “Essa minirotatória ficou confusa e perigosa. A gente nunca sabe a reação do motorista”, disse a pespontadeira Fátima Pessoni.
Para o pedestre, além do trânsito confuso e do aumento de veículos no trecho, outra reclamação é em relação a falta de iluminação. Como não há postes na rua, o local se transforma em um verdadeiro breu. “Não tem nenhuma iluminação e muita gente passa por aqui à noite. Já próximo a essa nova rotatória deveriam colocar a faixa de pedestres”, disse a assistente de supervisão Elisângela da Silva.
Se não bastasse o problema na entrada e saída do bairro, a medida refletiu até mesmo na rua Antônio Joaquim Junqueira, que ganhou um movimento considerado incompatível com a sua largura. “Ela tem duas mãos, mas é muito estreita. Um carro e um caminhão não conseguem passar juntos, além disso tem muitas crianças por ser saída de uma escola e de uma creche”, disse a microempresária Ana Paula Costa. “Antes era mais tranquilo, agora o dia todo agora passa carro, por isso precisava que ela fosse mão única.”
O vereador Josivaldo da Silva Vilas Boas, o Bahia (PTB), participou do programa Hora da Verdade Itinerante no Jardim São Luiz, criticou o trânsito francano. Conhecedor de vários Estados brasileiros, ele afirmou nunca ter visto antes semáforo e rotatória juntos. “Conheço mais de 15 Estados e isso está errado”.
O vereador Márcio do Flórida (PT) esteve no Hora da Verdade do dia 25 e se mostrou revoltado com a atitude do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) em desfazer a parceria com o Jornal Escola, do Comércio, e criar um programa semelhante. “Fiquei pasmo. Se não tem dinheiro para a saúde, como tem para o programa”.
O vereador Miguel Laércio Matias, o Laercinho (PP), esteve no Hora da Verdade Itinerante. Em sua participação, ele insinuou que vereadores da cidade compram votos com dinheiro e homenagens, porém não quis revelar nomes. O assunto na ocasião era o excesso de homenagens na Câmara Municipal.
O vereador Zezinho Cabeleireiro (PPS) participou ao vivo do programa Hora da Verdade no Jardim São Luiz e falou de sua indignação em relação a atitude do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) que cancelou a participação das escolas municipais no Programa Jornal Escola, do Comércio. O assunto foi debatido no programa.
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