Uma medida da Secretaria Municipal de Educação dificulta a rotina dos responsáveis ou pais de alunos da rede pública municipal. Todas as quintas-feiras os estudantes são liberados duas horas mais cedo devido a realização de reuniões de professores. Com o horário diferenciado, muitos pais têm que buscar alternativas no trabalho e contratar ou depender da boa vontade de familiares e amigos para buscar seus filhos na escola.
Segundo informações da Secretaria de Educação, durante quatro dias da semana as aulas são ministradas das 7h40 às 11h40, no período da manhã, e das 13 horas às 17h40, no período da tarde. Somente as quintas-feiras elas acontecem das 7 horas às 9h40 e das 13 horas às 15h40. Como são quatro dias contra um, os horários confundem alguns pais. “Organizei a minha manhã com o horário de vir buscar minha filha, mas no horário que ela sai na maioria dos dias da semana. Na correria do trabalho, não me lembrei que era quinta-feira. Cheguei aqui e quase todos os alunos já tinham ido embora”, disse o pai de uma aluna, que pediu para não ser identificado.
Entre os responsáveis que se atrasam devido a confusão gerada pelo horário diferenciado, há também aqueles que se atrasam conscientes e por necessidade. Este foi o caso da aposentada Maria Santos. Como sua filha trabalha o dia todo, ela fica responsável por levar e buscar a neta na escola. Em uma certa quinta-feira, a aposentada não teve outra alternativa e foi obrigada a atrasar para conseguir realizar um exame que esperava havia oito meses. “Não gosto deste horário. Minha neta já teve que ficar até o horário normal porque eu tinha uma ressonância 8 horas de uma quinta-feira e ela sai neste dia às 9h40. Não dava tempo de vir no horário, mas não podia perder um exame que estava esperando há vários meses. Cheguei aqui já era quase 11 horas para pegar ela. Se fosse o horário normal teria dado tempo”, disse.
Nas saídas das escolas municipais de Franca é comum encontrar pessoas que recebem para buscar alguns alunos. Esta é a solução encontrada por vários pais que trabalham e não têm familiares para buscarem seus filhos. “Trazia só meu neto, mas muitos pais começaram a me pedir para buscar seus filhos porque trabalhavam e não dava tempo de buscar as crianças. Com a saída mais cedo na quinta, aumentaram os pedidos. É difícil para um pai que trabalha sair no meio da tarde ou da manhã. Hoje vivo disso”, disse a dona de casa Maria Ferreira.
A Secretária Municipal de Educação respondeu, via assessoria de imprensa, que a medida não prejudica os alunos pois o calendário escolar atende as exigências legais quanto a quantidade de dias letivos e horas de trabalho pedagógico. “Não são horas perdidas, pois são cumpridas 800 horas com alunos, previstas na legislação”. A nota não responde ao questionamento sobre a dificuldade imposta pela medida na rotina dos pais dos alunos.
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