Reportagem especial: o árduo trabalho de um homem que sobrevive da pesca


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Na segunda metade do século XX, o avanço tecnológico fez com que algumas atividades econômicas passassem por transformações ou entrassem em processo de quase extinção. Na série especial “Trabalhadores”, que começa a ser publicada hoje pelo Comércio, retrataremos aos domingos, no mês em que se comemora o Dia do Trabalho, quatro dessas atividades, realizadas com a força do corpo. Tarefas, muitas vezes árduas, mas que ainda são desempenhadas por alguns obstinados como o pescador Odair Andrade Júnior. Odair é um dos últimos trabalhadores a sobreviver exclusivamente da pesca em nossa região. Alheio a todo esse processo histórico, a única coisa que espera é que os peixes sempre estejam ali, nas águas do Rio Grande, em Rifaina...
 
 
 
Todos as tardes, às 4 horas, Odair Andrade Júnior deixa sua casa em frente à prainha de Rifaina, onde mora com a mulher e dois filhos, e parte para o Rio Grande. Em sua canoa não leva nada mais que um saco com seis redes de pesca, organizadas com ajuda de sua mulher Maria de Lourdes Quintino. 
 
 
 
Odair permanece sobre as águas da represa Jaguara por cerca de duas horas, tempo suficiente para armar as seis redes. Trabalho árduo para uma única pessoa, já que ele precisa controlar o motor da canoa com um dos pés e usar as mãos para arremessar as redes. Ao anoitecer, está de volta à sua casa para, na madrugada seguinte, continuar sua tarefa no rio. 
 
 
 
Ao amanhecer, por volta das seis horas, Odair retorna ao rio. As redes armadas na tarde anterior agora serão recolhidas. Existe sempre a expectativa de que tragam muitos peixes. Mas às vezes, Odair acaba frustrado. A cada ano a quantidade de pescados tem diminuído. Os 80 quilos por pesca conseguidos anos atrás hoje não passam dos 30. As redes “fisgam” mandis, traíras, tucunarés, curvinas e cascudos, vendidos a turistas e à própria comunidade de Rifaina. 
 
 
 
 

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