Com cota baixa para castração, feirinha vira ‘depósito’


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Pessoas observam cães da feirinha de adoção realizada no Walmart
Pessoas observam cães da feirinha de adoção realizada no Walmart
Quem visita a feira de adoção de animais aos sábados no estacionamento do hipermercado Walmart pode não fazer ideia da quantidade de cães e gatos abandonados em Franca. Com poucos grupos para recepção e cuidado a eles - e quase nenhuma ajuda do Poder Público - o grupo Cão que Mia acaba sendo uma das únicas esperanças ante o abandono. 
 
O problema, segundo Aleni Papacídero, uma das protetoras de animais do Cão que Mia e da Associação É o Bicho, é que a maioria das pessoas não entende o trabalho do grupo, que é voluntário, e transfere a ele a responsabilidade de dar um destino aos seus cães e gatos. O que nem sempre é possível. Aliado a isso, o número de castrações disponibilizadas pela Prefeitura - 150 por mês para toda a cidade, 30, no máximo, para o grupo - não cobre a quantidade de doações do grupo, cerca de 200 mensais. O resultado é que os animais doados e não castrados procriam e aumentam os casos de abandono. Um perigoso círculo vicioso para a saúde pública.
 
De acordo com José Conrado Dias Netto, diretor de Divisão de Vigilância em Saúde da Prefeitura, o programa de controle de natalidade de cães e gatos disponibiliza apenas 150 castrações por mês, mas tem pretensão de aumentar o número em breve através de recursos do Ministério da Saúde e de verbas parlamentares. Tudo isso, porém, ainda são apenas projetos. Enquanto isso, resta aos proprietários de animais aguardarem uma fila de espera que pode chegar a nove meses. Ao Cão que Mia não há outra alternativa a não ser doar os animais sem castração correndo o risco de, em pouco tempo, receber seus filhotes para também serem doados.
 
Na feira do Walmart cerca de 150 animais são expostos a cada fim de semana, sempre entre 12h30 e 17 horas (um sábado o Cão quer Mia expõe apenas os animais que o grupo acolhe e no outro os que a população leva), mas somente poucos encontram um lar. Toda semana, cerca de cem cães e gatos continuam sem dono, mesmo após a feira de adoção. Esses animais, ao final da feirinha, voltam para a casa de seus antigos donos ou, se forem do grupo, à casa do protetor que os abriga temporariamente. Nesse caso, com alimentação sob sua responsabilidade e com recursos próprios. “Para cuidar da saúde desses animais é difícil, pois contamos com poucos veterinários voluntários, o que os sobrecarrega. Os banhos para levar os anilimpinhos para a feira são dados por nós mesmas”, disse Aleni.
 
Rotina
Protetores de animais dos grupos Cão que Mia, Turma do Abrigo e Amor Sem Raça fizeram um protesto contra o Canil Municipal na praça do Centro neste sábado. Eles afirmam que há casos de maus tratos no local. O ato reuniu 20 manifestantes, entre protetoras de animais, veterinárias e funcionárias das ONGs, com cartazes e fotos de bichos.

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