Racismo


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Retratei na quinta-feira, 24 de março, neste Comércio, várias manifestações de intolerância que, infelizmente, em pleno século XXI, a humanidade ainda tem de conviver. A intolerância está presente no universo religioso, no seio da família, na política, no trabalho, na preferência sexual das pessoas e em todos os ambientes onde o ser humano se faz presente. Porém, é na área esportiva que a pior de todas as intolerâncias, a racial, tem sido rotineiramente constatada. 
 
É a mais odiosa, pois tratar alguém desigualmente apenas por ter a cor da pele diferente é algo abominável, além de constituir em crime inafiançável na maioria - se não for em todos - os países do mundo. Atletas brasileiros afro-descendentes como Neymar, Daniel Alves, Tinga e Arouca já foram alvos de preconceito racial em estádios de futebol dentro e fora do Brasil.
 
Este mês, Donald Sterling, presidente do time de basquete Los Angeles Clippers, condenou publicamente sua namorada apenas por ter ela tirado foto com Magic Johnson, ex-astro da NBA, isso depois de ter afirmado não querer negros nos jogos de seu time. 
 
Nas redes sociais, várias personalidades dos mundos esportivo, político e artístico condenaram com veemência esses atos. Porém, entidades que administram o desporto em geral, como a Conmebol, a UEFA e a própria FIFA, embora recriminem publicamente os atos preconceituosos, na prática não punem, ou punem de forma branda.
 
Assim, reprimenda exemplar ao clube cuja torcida praticou o ato de racismo acaba não ocorrendo, gerando-se, então, a impressão de que a reprovação é muito mais retórica do que efetiva. 
 
Diante desse quadro de impunidade recorrente, a tendência é que essas infelizes manifestações de intolerância racial acabem se repetindo e tomando proporções inimagináveis para o atual estágio evolutivo do nosso planeta. 
 
As pessoas têm que aprender a conviver e aceitar a diversidade.
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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