Funcionando há menos de seis meses, o Centro Pop (casa criada para atender moradores de rua), instalado na avenida Doutor Hélio Palermo, praticamente no centro da cidade, desde a sua criação vem causando questionamentos entre os moradores de Franca. A maioria esmagadora critica a concentração de pedintes nas ruas do entorno, que abrigam lojas, restaurante, lanchonete e muitas residências, além de um trânsito intenso em certas horas do dia. Como o Comércio mostrou em sua edição de ontem, o Centro Pop atrai viciados em drogas e bebidas alcoólicas sem que haja qualquer controle de quem frequenta a casa de alto padrão alugada pela Prefeitura.
De acordo com reportagem publicada em nossa edição de ontem, não bastassem as reclamações dos vizinhos e comerciantes, agora é a vez dos guardas civis municipais denunciarem a falta de segurança e controle do Centro Pop. Segundo eles, como não há segurança no local acontece de tudo dentro do prédio. Eles narram uso de entorpecentes no banheiro e na área de convivência, brigas constantes e furtos. Os usuários do Centro também se queixam dos mesmos problemas e dizem que frequentadores fazem até sexo sem serem incomodados pelos funcionários.
Tudo isso deixa claro que, antes de se tornar uma solução para os moradores de rua, o Centro Pop está causando mais problemas sociais para grande parte da população francana, principalmente para quem mora, trabalha ou precisa passar pela região, inclusive pacientes que procuram o PS Infantil e o NGA, que ocupam as instalações do antigo PS “Dr Janjão”, a poucos quarteirões dali. Nos últimos meses, há reclamações de ameaças, achaques e até roubos. Diante de tudo isso, causa estranheza a atitude da secretária municipal de Ação Social, Gislaine Peres, em defender apenas os “benefícios” que o Centro Pop traz à cidade, ignorando totalmente as reclamações. Em entrevista ao programa Hora da Verdade, da Difusora, ontem, mesmo mostrando muita firmeza ao participar de conversa ao vivo no estúdio abrigado no GCN — algo que praticamente nenhum subalterno do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) tem coragem de fazer —, Gislaine deixou transparecer uma ingenuidade tocante na defesa de suas ideias.
Buscar soluções para o problema da população de rua é louvável, mas basear-se num modelo onde não há qualquer contrapartida aos serviços oferecidos pelo Centro Pop é inócuo. Em Franca, todos os atendidos não precisam se comprometer com qualquer ação para que continuem indefinidamente por ali. Ganham casa, comida, abrigo e roupa lavada, mas podem continuar consumindo drogas e álcool. É preciso que eles, em primeiro lugar, deem uma contrapartida ao que recebem, como acontece em São Paulo, em modelo similar onde drogadictos devem fazer algum serviço, no caso, varreção de ruas, em troca de abrigo e comida. Depois, que se disponham a serem atendidos por profissionais da área psi, abandonem a vida errática, recebam respaldo para aprenderem uma profissão e, ao final de uma jornada que será longa, sejam encaminhados ao mercado de trabalho. Nada disso foi feito desde a implantação do Centro. Os moradores de rua entram e saem sem qualquer controle, não são revistados e os servidores que ali trabalham sentem-se ameaçados. A liberalidade é danosa para todos. Enquanto este quadro não for modificado, dificilmente o Centro Pop irá cumprir a função para a qual foi criado.
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