Há duas semanas, Franca está em guerra. A principal arma do confronto, é preço. O principal beneficiado, o consumidor de combustíveis. A guerra teve início quando um posto de gasolina reduziu o preço do litro de gasolina. Os demais, sem opção, acabaram por reduzir também, criando efeito cascata que levou o preço da gasolina para R$ 2,49.
Franca já foi uma das cidades com maior margem de lucro na venda de combustível no Estado de São Paulo. Agora, é uma das cidades com menor margem de lucro. Para se ter uma ideia, segundo o site da ANP (Agência Nacional do Petróleo), no período de 20/04 a 26/04, a gasolina foi comprada pelos postos na distribuidora, a preço médio de R$ 2,40.
Alguns postos vendem a R$ 2,49, ou seja, com uma margem de lucro reduzida ou, para alguns, com prejuízo. A pergunta que não quer calar é ‘como os postos fizeram os preços desabarem?’;
Estive em dois postos e conversei com proprietários. Disseram-me que a redução aconteceu em instantes. Um dos postos baixou o preço. O outro reduziu mais e, em algumas horas, já se comprava a R$ 2,59.
Foi pouco antes do feriado da Sexta-Feira da Paixão. Semana passada, o preço caiu mais: R$ 2,48. Vários reclamam. “O preço é impraticável”, “trabalhamos no prejuízo”, mas continuaram a praticar.
Ora, é inadmissível que no mercado atual existam empresas que trabalhem no prejuízo. Ninguém faz milagre. Quem trabalha no prejuízo por determinado período, está fadada à derrocada ou à falência. Por isso, não é crível que, realmente, hajam postos que estejam trabalhando com prejuízo!!!
Na verdade, como em todo setor — e no de combustíveis mais ainda —, há um mínimo de sintonia entre os estabelecimentos. Desta vez, a sintonia que alguns chamam de alinhamento e outros, erroneamente de cartel, é regional, salvo raras exceções. Curioso é que os preços em Franca, diferentemente de outros períodos, estão com variação considerável entre regiões.
A exemplo, os postos do início da avenida Doutor Ismael Alonso Y Alonso praticam os menores preços, alguns a R$ 2,48. Já os da região norte, segundo o site da ANP, praticam os preços mais elevados da cidade, com a gasolina chegando a ser vendida ao consumidor a R$ 2,84.
A conclusão é óbvia: embora o preço esteja interessante, é preciso rodar para encontrar valor mais baixo. Esta concorrência pode fazer com que os postos que ainda estão praticando preços mais elevados sejam forçados a baixarem preços também. Portanto, esta guerra é saudável para a economia, e o consumidor agradece. Resta saber até quando os postos se manterão nela. Momentos de guerra, como na história mundial, são muito curtos. Por longos períodos reina calmaria. E calmaria, neste caso, significa preços elevados novamente! Que continuem em guerra!
APLICATIVO DE CELULAR: Chegou aplicativo para celular,chamado ‘Gasoleta’, que verifica qual o combustível mais vantajoso para seu carro, gasolina ou álcool. É grátis e está disponível para o sistema Android. Basta informar o preço de cada combustíveis, clicar em ‘calcular’ e ele mostra o combustível mais vantajoso para se abastecer naquele momento. Informa ainda a relação percentual entre o preço dos dois combustíveis. Quem tem automóvel bicombustível tem a opção de abastecer o carro tanto com álcool quanto gasolina. Segundo a ANP, abastecer com etanol vale mais a pena quando o combustível custar 70%, ou menos, que o preço cobrado pela gasolina.
Denílson Carvalho
advogado, ex-coordenador do Procon/Franca - advogado@denilson.adv.br
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