Crianças disponíveis para adoção em Franca não correspondem ao perfil de filho que futuros pais e mães adotivos estão buscando. Essa é a triste realidade mostrada pelos números da Vara da Infância e Juventude da cidade sobre os garotos e garotas que vivem hoje em lares de adoção e o interesse dos pretendentes a pais.
Segundo a Justiça, das 21 crianças que já foram destituídas de suas famílias e hoje vivem em orfanatos, uma tem 4 anos e outra 5. Todas as outras 19 possuem idades entre 10 e 18 anos. Por outro lado, todas as 46 pessoas na fila de adoção atualmente pretendem levar para os seus lares crianças menores de 7 anos. Dessas, apenas sete adotariam uma criança entre 5 e 7 anos.
Nos lares de Franca, 15 crianças têm irmãos, mas 27 dos pretendentes buscam por filhos sozinhos. A maioria das crianças é menino - um total de 11. Mas, apenas um futuro pai ou mãe declarou ter preferência pelo sexo masculino. Dentre os outros pretendentes, 25 são indiferentes ao sexo da criança, e outros 20 disseram querer adotar meninas.
Os dados mostram ainda que a maioria das crianças é parda - 15. Outras quatro crianças são brancas e duas são negras. Já dos pretendentes a pais, 12 são indiferentes em relação à cor do filho adotivo, enquanto 13 querem apenas crianças brancas e outros 13 preferem crianças negras ou pardas. Os demais pais incluem em suas preferências também crianças indígenas ou amarelas.
Recanto do Aconchego
Os dados da Vara da Infância e Juventude informam ainda que 15 crianças foram encaminhadas para adoção no ano passado, número maior do que o de 2012, quando oito meninos e meninas foram encaminhados.
O coordenador do Recanto do Aconchego, Sérgio Francisco de Lima, disse que nenhuma criança do lar, que abriga garotos e garotas maiores de 12 anos, foi adotada nos últimos seis anos. O local assiste hoje 34 crianças e adolescentes, dentre os que foram já destituídos da família e os que a Justiça tenta o retorno ao lar biológico.
O Recanto do Aconchego trabalha no encaminhamento dos adolescentes para serem autossuficientes no futuro. “A partir dos 15 anos, já procuramos matricular esses adolescentes em um curso técnico e depois tentamos encaminhá-los para um emprego, para eles poderem cuidar de si mesmos quando atingirem a maioridade”, disse Lima, que relata ainda conhecer boas e más histórias. “Sei de adolescentes que saíram daqui, conseguiram ter uma casinha e até cuidar dos irmãos mais novos. Mas também sei de meninos que se perderam.”
O lugar é organizado no molde “casa lar”: o complexo do Recanto do Aconchego tem oito casas onde vivem quatro crianças e uma “mãe social” responsável por cuidar da residência e dos garotos. “Fico aqui seis dias na semana e folgo dois. Essas crianças são praticamente meus filhos e eu procuro agradar elas fazendo bolo e pudim”, disse uma das “mães sociais” da entidade, Aparecida Bernardes.
Recanto Esperança
A estrutura do Recanto Esperança, onde moram 22 crianças de 0 a 12 anos, é diferente. No espaço, as crianças compartilham todos os cômodos.
Segundo a assistente social da entidade, Juliana Bertazzi, duas crianças do Recanto Esperança foram adotadas no ano passado. “Uma criança de 1 ano e outra de 3 foram encaminhadas para famílias adotivas no último ano. Mas quanto mais velha a criança, mais difícil fica”, disse ela.
Apenas três das crianças do Recanto Esperança já foram destituídas das famílias e podem ser adotadas. Outras oito passam por processo de restituição ao lar biológico.
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