Moderação e urbanidade


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Tenho lido e visto discursos nos quais o orador se utiliza de expressões imoderadas e ofensivas à honra ou integridade de alguém. Muitos acreditam que esse tipo de estratégia discursiva é eficiente. De fato, em alguns poucos caso, até pode ser. Ofender a honra e a moral só funciona no discurso político, no qual impera, infelizmente, outras ‘normas’ do ‘tolerável’. Afirmo que é possível ser crítico com moderação, urbanidade e respeito. Machado de Assis já dizia, em sua crônica O Ideal do crítico: ‘Se a delicadeza das maneiras é um dever de todo homem que vive entre homens, com mais razão é um dever do crítico, e o crítico deve ser delicado por excelência’. Para poder fazer uma crítica é necessário, no mínimo conhecer o assunto com profundidade para poder demonstrar os acertos e os erros de quem está sendo avaliado/criticado.
 
Há críticas sem fundamentos, pronunciadas só pelo bel prazer de criticar ou destruir a figura do outro, algo como disputa de poder que não agrega qualquer valor para os envolvidos e muito menos para os destinatários dos discursos, no caso a sociedade. É sabido que todo discurso tem um orador (ethos), um auditório (pathos) e o discurso (logos). Há uma interação entre eles, sendo que o orador precisa ter um caráter que demonstre confiança, o auditório precisa ser sensibilizado, tocado, pelo orador e pelo discurso. O discurso, por sua vez, tem que se adequar ao caráter do orador e às expectativas do auditório. Não é fácil ser bom orador, mas, moderação e urbanidade são elementos para convencer/persuadir o auditório.
 
E não há discurso inocente. Cada um tem finalidade bem específica. Em alguns percebe-se facilmente. Em outros, a intenção é tão sutil que não a percebemos. Os discursos políticos não dizem muito, tentam apenas convencer sobre algo que nem quem diz acredita e nem nós, que ouvimos, acreditamos, mas, ainda assim, persuade, favorecendo quem voto. Depois, ficamos murmurando. Está na hora de dizer através do voto, que não queremos ou toleramos mais isso. Ou cumpre o discurso ou será banido. Chega de discursos e críticos sofistas! 
 
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
 

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