Pra que complicar?


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Com uma frota de veículos automotores bastante inchada — temos 208.173 veículos para uma população de 336.734 pessoas, de acordo com estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) para 2012 —, o trânsito em Franca ressente-se, nas últimas três décadas, do planejamento de um profissional especializado para evitar um colapso total. Nos últimos anos, as medidas adotadas pela Divisão de Trânsito da Prefeitura Municipal tornam-se paliativas ou, como na maioria das vezes, inócuas. A população reclama e com razão. Algumas modificações, implantadas para tentar resolver o problema, acabam por complicar ainda mais o fluxo de carros, motos, bicicletas e pedestres.
 
Nos últimos tempos, a multiplicação de semáforos, principalmente na área central da cidade, tornou-se a medida mais utilizada para tentar resolver o trânsito complicado que está irritando motoristas e pedestres. Para a maioria dos que transitam por ali, a situação ficou mais complicada. Afinal, o fluxo de veículos tornou-se mais lento, principalmente por causa da falta de sincronia entre um aparelho e outro. Anda-se pouco, desgasta-se mais o motor de automóveis e motocicletas em razão da necessidade de se parar a cada esquina. A falta de planejamento e de estudos que efetivamente levem a uma solução fica patente, ainda mais quando se sabe, conforme declaração do próprio secretário do setor, Sérgio Buranelli, que a Prefeitura de Franca não conta com um engenheiro de trânsito capaz de detectar e apresentar uma resposta à verdadeira bagunça que aí está.
 
Afinal, Franca tem mais de um veículo a cada dois habitantes. Como o transporte público não comporta o fluxo e sua qualidade deixa a desejar, grande parte destes veículos automotores está todos os dias trafegando por nossas ruas e avenidas. Com o passar do tempo, o município cresceu de forma desordenada e não houve qualquer planejamento que comportasse o aumento da frota. A maioria das ruas do centro foi projetada para carroças e cavalos. E sem qualquer intervenção, a cidade foi crescendo na direção dos quatro pontos cardeais. Hoje, para se dirigir da Estação à Cidade Nova, quase todos os trajetos passam pelo centro, onde a situação está cada dia mais complicada. Há vias alternativas, mas estas já começam a se saturar também.
 
Se nada for feito no sentido de criar condições para que o trânsito francano encontre um equilíbrio — o fortalecimento do transporte urbano seria uma das saídas, com a ampliação de veículos e linhas —, a situação pode ficar insustentável. Experiências como as verificadas em rotatórias sem qualquer via preferencial, as quais já vêm provocando acidentes graves, são temerárias. A prioridade, hoje, é a contratação de um engenheiro de trânsito capaz de detectar os gargalos e nós que atravancam o tráfego nas ruas de Franca. Caso contrário, somente teremos medidas paliativas e sem qualquer impacto para a solução que todos esperam da Prefeitura e de sua Divisão de Trânsito. Este é um assunto que não pode mais esperar.
 
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