Câmara tem telefonista só até as 14 horas


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A vereadora Valéria Marson (PSDB) afirma que ‘providências têm de ser tomadas, mas o problema é a falta de comando’
A vereadora Valéria Marson (PSDB) afirma que ‘providências têm de ser tomadas, mas o problema é a falta de comando’
Mesmo com um concurso público ainda em vigência e candidatos aprovados, a Câmara fica praticamente toda a tarde sem um telefonista. Atualmente, o trabalho é realizado por uma profissional até as 14 horas. Após esse horário, a população enfrenta dificuldades para entrar em contato com o Poder Legislativo. Até alguns dias atrás, os vereadores também não conseguiam realizar ligações interurbanas de seus gabinetes após a telefonista ir embora.
 
Dos 15 parlamentares ouvidos pelo Comércio, 14 confirmaram a necessidade de contratação de mais um profissional. Apenas o presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), insiste em outros meios para resolver a situação. Recentemente, ele resolveu liberar os interurbanos nos gabinetes e achava, até então, que a situação estava resolvida, mas pelos relatos da maioria dos vereadores, o presidente estava enganado.
 
“Não pode continuar do jeito que está. A solução que eles encontraram foi liberar os telefones dos gabinetes no período da tarde, mas a telefonista é importante porque não tem quem atenda as ligações que caem no PABX geral. Providências têm de ser tomadas, mas o problema é a falta de comando”, disse a vereadora Valéria Marson (PSDB).
 
Para o líder do governo na Câmara, o vereador Marco Garcia (PPS), a demora na contratação de mais um telefonista é um desgaste desnecessário. “É uma economia que não precisa, partindo do pressuposto que sobra algo em torno de um milhão e meio a dois milhões de reais do orçamento da Câmara por ano. Há necessidade de uma segunda telefonista, sim. Isso não precisa ser estudado. É só contratar e acabou. É um desgaste desnecessário. A população quer falar e não tem ninguém para atender. Se eu fosse presidente, já teria chamado.”
 
Segundo o site da Câmara, o salário bruto da única telefonista do Legislativo, em março, foi de R$ 1.308,56.
 
Primeira da fila
A desempregada Suellen de Paula Ribeiro concorreu ao último concurso público da Câmara, em 2012, e foi aprovada para trabalhar como telefonista. Atualmente, ela ocupa o primeiro lugar da fila de espera e aguarda ansiosamente sua convocação. Para tentar “facilitar” o processo, Suellen pediu demissão do seu último emprego assim que retornou da licença maternidade e “desistiu” da estabilidade que tinha.
 
“Estou desesperada. Fiquei sabendo em fevereiro que a vaga estava livre, então comecei a correr atrás. Fui várias vezes na Câmara e conversei com muitas pessoas, mas eles não convocam e o concurso vai prescrever em junho”, disse Suellen Ribeiro. 
 
Ela diz que a demora na contratação estaria ligada à sua gravidez. “Quando descobriram que eu estava de licença maternidade começaram a enrolar mais ainda. Pedi demissão e fiz uma carta, onde eu desisto da estabilidade. Mandei na Câmara, mas eles disseram que havia apenas cogitado a minha convocação e que não deram certeza que iam me convocar.”
 
Diante das negativas, Suellen procurou a Defensoria Pública que encaminhou à Câmara um ofício pedindo explicações sobre a situação da aprovada. Em resposta, o diretor-geral da Câmara, José Antônio Lomonaco, disse que não há qualquer impedimento à contratação de Suellen “quando e se assim for conveniente e oportuna à administração”.
 
Ontem, Suellen procurou novamente um advogado para providenciar um mandado de segurança com o objetivo de resguardar seus direitos.
 
Outro lado
Questionado sobre o motivo de a administração ter optado pela liberação das ligações interurbanas nos gabinetes em vez da contratação da candidata aprovada, Jépy Pereira disse que é devido à conveniência administrativa, mas ao mesmo tempo ele afirmou que a Câmara tem condições de contratá-la. 
 
“Tem condições de contratar, sim. Não tem nenhum motivo específico. Eu acredito que ela vai ser contratada, mas neste momento estamos tentando resolver a questão sem contratação do telefonista”, disse Jépy Pereira.
 
O presidente se mostrou surpreso ao ser comunicado que os demais vereadores são favoráveis e pedem a contratação de mais uma profissional. “Até hoje ninguém veio conversar comigo, para mim é novidade.” Por fim, Jépy disse que “vai estudar e olhar com carinho isso daí”.
 

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