Uma criança de 5 anos ficou, na semana passada, mais de três horas “esquecida” em uma sala de espera da Santa Casa de Franca. O local foi utilizado para que a paciente aguardasse a alta médica após o processo operatório de amígdalas e adenoide realizado no mesmo dia. A cena foi registrada pela mãe, a aposentada por invalidez Adriana Morais de Oliveira, que ficou indignada com o tratamento oferecido pela instituição. A criança tem plano de saúde do hospital, o Santa Casa Saúde e, segundo a mãe, pelo contrato, teria direito a um quarto particular na ausência de vaga na enfermaria.
De acordo com Adriana, o “descaso” começou antes da operação. Ao questionar sobre o nome correto da cirurgia da filha, ela disse que foi mal tratada e humilhada pelo médico. “Na entrada, a recepcionista me disse que minha filha iria operar do ouvido e do nariz. Na hora fiquei apavorada, pois ela estava lá para operar do nariz e da garganta. Não tinha nada que ver com o ouvido. Ao perguntar para o médico, ele foi grosso comigo. Gritou e disse para eu confiar nele e não na recepcionista.”
Passado o mal entendido, após a entrada da filha para o centro cirúrgico, Adriana afirma que ficou duas horas sem ter notícias e, após questionar sobre a demora, foi informada que criança estava bem e aguardaria pela liberação. “Nessa hora, eles trouxeram minha filha na maca e colocaram no meio da sala de espera e ali ficou até o horário que a gente foi embora.”
Imagens gravadas pelo celular da mãe mostram a criança deitada na maca com um cobertor servindo como travesseiro em uma pequena sala cercada com cadeiras e com outras cinco pessoas. Uma delas, inclusive, também estava com a filha recém-operada no colo, sentada em um sofá de plástico aguardando vaga. “Não esperava por isso. Disseram que a gente tinha que esperar ali, pois não tinha vaga”, disse a outra mãe, que pediu para não ser identificada.
Na gravação também é possível ver que a sala é aberta, fica de frente para um corredor e não há sequer uma mesa para colocar os alimentos destinados para a paciente. “A gente paga o plano para ter um atendimento mais digno, ser bem acolhido. Tinha essa esperança, mas não foi isso que aconteceu. Como fui enganada, não quero que outras pessoas também sejam”, disse indignada a mãe da criança.
Adriana possui o plano de saúde desde junho do ano passado e paga R$ 115 mensais, mais o valor das guias retiradas no período. O plano é para uso da criança e também para a outra filha de Adriana, de 17 anos. “Eu sou aposentada e meu marido pedreiro. Não temos condições de pagar um plano melhor. Escolhemos esse para ter uma alternativa ao SUS e minha filha acabou sendo tratada dessa forma.”
No contrato do plano Santa Casa Saúde, está especificado que as internações ocorrerão em acomodação coletiva, conhecida como enfermaria, e, não havendo disponibilidade de leito será garantido o acesso à acomodação em nível superior à prevista.
Em nota, a Santa Casa informou que a Ouvidoria do hospital entrará em contato com a mãe da paciente para que ela registre a queixa formal. A assessoria de imprensa da instituição afirmou ainda que, após apuração do caso, dará um retorno com a emissão do parecer do plano de saúde.
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