Centro Pop vira lugar de sexo, drogas e brigas


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Grade do Centro Pop por onde, segundo guarda municipal, usuários passam drogas para dentro da casa que atende moradores de rua
Grade do Centro Pop por onde, segundo guarda municipal, usuários passam drogas para dentro da casa que atende moradores de rua
Não bastassem as reclamações dos vizinhos e comerciantes, agora é a vez dos guardas civis municipais denunciarem a falta de segurança e controle do Centro Pop, casa criada para atender moradores de rua. Segundo eles, como não há segurança no local, acontece de tudo dentro do prédio. Eles narram uso de entorpecentes no banheiro e na área de convivência, brigas constantes e furtos. Os usuários do Centro também se queixam dos mesmos problemas e dizem que frequentadores fazem até sexo sem serem incomodados pelos funcionários. 
 
Segundo um dos guardas municipais, as ocorrências de brigas entre os usuários já viraram rotinas. “Eu chego para trabalhar e já espero o telefone tocar para ir até lá. Todo dia tem alguma confusão”, disse o guarda que pediu para não ter seu nome publicado. 
 
A confusão mais recente, segundo ele, aconteceu na semana passada. Como não existe vigilância, um usuário invadiu o banheiro feminino para ver uma das mulheres tomar banho. “O problema é que avisaram o companheiro dela. Ele se irritou e, com uma faca, ameaçou matar o invasor. Fomos acionados. A confusão só terminou quando usamos a teaser (arma de choque).”
 
Para ele, esse tipo de ocorrência não deveria ser atendido pela Guarda Municipal e, sim, pela Polícia Militar. “Não estamos preparados para lidar com este tipo de situação. Ainda não entendi por que eles (os funcionários) não ligam para a Polícia Militar, só ligam para a gente.”
 
Outro guarda contou que, por causa da falta de vigilância, é comum os usuários entrarem no Centro com bebidas e drogas. “Mesmo que não entrem. Eles conseguem passar os entorpecentes pelo portão que dá para a rua e é vazado. O que acontece lá não existe em lugar nenhum no mundo. É um completo absurdo”, disse ele que também pediu anonimato. 
 
Eles dizem que os funcionários não intercedem por medo. “Imagina um lugar onde existem pessoas drogadas e bêbadas e não há segurança, quem se atreveria a reagir?”, questiona um deles. 
 
Os guardas afirmam que existe apenas um funcionário que acompanha a movimentação dos frequentadores, mas não anda armado. “O que sei é que ele trabalhava de recepcionista no Conselho Tutelar. Fica sozinho, não tem como agir.”
 
Usuários
As denúncias feitas pelos guardas são confirmadas por usuários e ex-usuários do Centro. Na tarde de ontem, no programa Ronda 1.030, da Rádio Difusora, apresentado pelo jornalista Marcelo Valim, três deles deram seus depoimentos sobre como é a rotina no Centro. “Lá é uma patifaria. Eu mesmo já usei drogas no banheiro. Ninguém fala nada, não. Ninguém enche o saco. O problema são os outros usuários, sempre tem briga”, contou um ex-usuário sem se identificar. Ele se envolveu em uma das brigas e foi suspenso, não sendo mais aceito no Centro. 
 
Outro usuário disse que já presenciou cenas de sexo dentro da casa. “É comum a gente ouvir uma ‘gemeção’. Homens e mulheres frequentam os mesmos espaços e se deitam juntos. É uma bagunça.”
 
Um outro ex-usuário, também suspenso por briga, disse que os furtos no Centro são frequentes. “Já roubaram uma blusa minha de R$ 180. Eu fui reclamar e os funcionários disseram que não podiam fazer nada.”
 
Resposta 
Por meio de uma nota enviada pela Assessoria de Imprensa, a Prefeitura disse que não há revista no Centro Pop por conta das orientações técnicas da Política Nacional de Assistência Social. “Essa é atribuição específica da polícia, portanto, quando é identificada necessidade de algum procedimento para garantir a segurança dos demais usuários, é acionada a autoridade policial.”
 
Segundo a nota, apenas duas brigas ocorreram no Centro Pop e exigiram o afastamento das pessoas envolvidas no caso. “Por coincidência, são os três usuários que deram depoimento depreciativo com relação ao serviço no programa do radialista ‘Marcelo Valim’, os quais estão afastados das atividades por tempo indeterminado devido à gravidade e reincidência da ocorrência”.
 
A nota não se refere aos depoimentos dados pelos guardas municipais. Apenas diz que “os relatos dos mesmos (usuários) no referido programa não procedem e, diariamente, eles procuram atendimento no Centro Pop inconformados com a situação da suspensão. Concluímos, assim, que os relatos ocorreram pelo impedimento do acesso ao serviço pelos referidos usuários.”
 
Também nada esclarece sobre as medidas que deverão ser adotadas. 

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