Índices de mentirinha


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O governo brasileiro, nos últimos anos da administração de Luiz Inácio Lula da Silva e nos primeiros de Dilma Rousseff, vem sendo muito criticado ao usar de uma chamada ‘contabilidade criativa’ para fechar as contas do governo. O secretário do Tesouro, Arno Augustín, usa métodos nada realistas para que, ao final de cada ano, os números continuem positivos. Porém, a situação vem saindo do controle e, mesmo com a utilização de órgãos do governo, como os bancos oficiais (Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES), as contas começam a apresentar um déficit que dificilmente o Tesouro conseguirá reverter.
 
Além disso, não se pode mais jogar nas costas de estatais -- Petrobras à frente e Eletrobrás no vácuo -- mais prejuízos. A petroleira, por causa desta administração temerária, registra déficits crescentes e já perdeu metade de seu valor de mercado na última década. Por isso, o governo começa a buscar outras saídas para manter os índices positivos, principalmente neste ano eleitoral quando a inflação começa a recrudescer.
 
Depois de impedir que a Pnad Contínua fosse divulgada periodicamente pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), causando uma verdadeira rebelião no instituto por causa da ingerência política, o Planalto mais uma vez mira suas baterias para a instituição responsável pelas estatísticas que balizam a economia brasileira. É bom lembrar que a Pnad Contínua apresentou um resultado do desemprego em nível superior ao que o governo tinha comemorado no final de 2013.
 
Como a inflação demonstra fôlego para continuar subindo, teóricos do governo petista já tentam emplacar uma nova ‘contabilidade criativa’ no IBGE: retirar o item alimentação do cálculo do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que mede a inflação oficial. Como neste setor as pressões são maiores, o seu expurgo será capaz de levar o índice para um patamar considerado palatável para a equipe econômica de Dilma Rousseff. Porém, assim como a Argentina de Cristina Kirchner (tão cara ao governo brasileiro), passaremos a ter uma ‘inflação de mentirinha’, bem aquém do índice real.
 
Nos dias de hoje não se concebe qualquer medição do custo de vida onde o item alimento não seja relevado. Afinal, a alimentação pressiona os gastos da família e fatores sazonais ou climáticos acabam por influir decisivamente nos gastos mensais. E o brasileiro percebe que o índice inflacionário está crescendo nas compras de supermercado. Tentar camuflar a incompetência da equipe econômica com subterfúgios não é o caminho para o Brasil.
 
Caso o governo consiga interferir mais uma vez no trabalho do IBGE, até hoje considerado refratário à ingerência política, estará dando mostras de sua incompetência para conduzir os destinos do País. Num ano eleitoral, em vez de mostrar resultados positivos mudando os rumos de sua política econômica, pretende-se varrer a sujeira para debaixo do tapete. É uma medida desonesta, imoral e, acima de tudo, desesperada de quem pretende manter o poder a qualquer custo.
 
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