A decisão do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de cancelar a participação das escolas municipais no Programa Jornal Escola 2014, que oferece cerca de 200 mil exemplares por ano às unidades escolares, oficinas pedagógicas e recebe visita de mais de dez mil alunos por ano inteiramente de graça, revoltou boa parte dos professores que só souberam do cancelamento pelo Comércio da Franca. Para eles, a decisão representa também o fim de diversos trabalhos desenvolvidos em sala de aula e em casa pelos milhares de alunos que tinham acesso ao programa.
Taís Araújo, professora do 5º ano em uma escola do Jardim Luiza, criticou a retirada do programa da rede municipal. “Achei um absurdo essa decisão. O Jornal Escola possibilitava aos alunos aprender a partir da realidade em que vivem. Com o Comércio, eu trabalhava matemática, geografia, história e português. E os meus alunos se interessavam porque era a realidade deles. Não acho justo que eles sejam prejudicados por conta de uma decisão do prefeito que não tem justificativa a não ser política.”
Taís foi a última professora municipal a trazer alunos para visitar a redação integrada do GCN Comunicação. “Eles voltaram superempolgados. Querendo ler mais, conhecer mais o mundo. Isso não tem preço. Isso que me faz lamentar a retirada do programa.”
Uma outra professora que pediu para não ser identificada com medo de represálias também se disse revoltada. “Criei neste ano um trabalho todo baseado no Clubinho que circula no Comércio da Franca às quintas-feiras e que os alunos recebiam gratuitamente. Por ele, estudávamos os animais da fauna brasileira (cada semana o Clubinho traz a história de um animal diferente). Com o fim do programa, como ficará meu projeto? Os alunos são carentes e adoravam. Mesmo que venha outro jornal, meu trabalho é específico. Estou muito triste.”
Até quem não faz parte da rede municipal lamenta a decisão do prefeito de retirar o Jornal Escola. O professor Cléber Cássio Bento, coordenador de ensino fundamental na Escola Estadual “Capitão José Pinheiro de Lacerda”, disse não se conformar com o cancelamento do programa. “É uma atitude típica de déspotas. De um autoritarismo sem igual. Infelizmente demonstra a falta de respeito que o nosso prefeito Alexandre Ferreira tem pela Educação de nossas crianças. Lamentável.”
O fim
O cancelamento da participação das escolas municipais no Jornal Escola 2014 não foi comunicado pela Prefeitura. O GCN só soube da decisão quando na última quarta-feira, dos mais de 40 professores municipais inscritos para a primeira oficina pedagógica, apenas três compareceram. O cancelamento colocou um ponto final na parceria entre a Prefeitura e o GCN havia oito anos (veja quadro). Na sexta-feira, o prefeito Alexandre anunciou a criação do Programa Leitura de Jornais. O programa “anunciado” pelo prefeito é uma réplica desavergonhada do Jornal Escola, tem oficinas, concursos e visitas. Oficialmente a Prefeitura não confirma como o programa será desenvolvido. A diferença é que o Comércio da Franca está excluído. Durante entrevista no dia do anúncio, Alexandre Ferreira foi sintético sobre o desenvolvimento do programa. “Decidimos institucionalizar o programa e decidimos que seria assim.”
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