O francano Clermon Rosa dos Santos, 46 anos, reflete a emoção de quem deixou a fila de espera por um transplante. Após sofrer durante quase três anos com um fígado comprometido pelo vírus da hepatite C, a boa notícia que Clermon tanto esperava chegou na madrugada do dia 12 abril. Eram 2h10 de sábado quando o telefone tocou avisando que havia chegado o momento do francano receber um fígado novo. Com a ligação, a angústia e o medo deram lugar a uma nova chance de viver. “Estava deitado quando recebi o telefonema do HC - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Fiquei muito emocionado, chorei e não conseguia explicar o que estava acontecendo para a minha irmã. Tive que me acalmar para contar a maravilhosa notícia”, disse Clermon.
Muitas dificuldades tiveram de ser superadas até a chegada da boa notícia. Em setembro do ano passado, a doença de Clermon se agravou e água começou a acumular em sua barriga. Foi então que ele entrou, com urgência, na fila de espera por um transplante de fígado. Enquanto aguardava, Clermon ficou ainda mais fragilizado já que o líquido passou a acumular também na pleura (pulmão). Ao alcançar a primeira posição da fila, em fevereiro deste ano, mais uma surpresa: o HC de Ribeirão Preto havia suspendido os transplantes devido a falta de anestesistas.
Durante todo este difícil período, os familiares de Clermon estiveram ao seu lado. Entre eles, sua irmã Cleide de Souza. “No dia 5 de setembro de 2013 a situação complicou, mas continuamos com a vontade de vencer.”, disse Cleide.
Transplante
Enquanto o órgão do doador era captado em Jundiaí (SP), Clermon foi avaliado pelos médicos do HC. Segundo Cleide, o novo fígado de seu irmão chegou em Ribeirão Preto por volta das 15 horas. Logo em seguida, Clermon entrou para o centro cirúrgico para fazer procedimentos até o início do transplante.
Às 23h40, Clermon seguiu para o CTI (Centro de Terapia Intensiva) para se recuperar. “Eram 10 horas da manhã de domingo ele já tinha voltado da anestesia e estava querendo conversar e tomar água. É realmente uma coisa de Deus porque geralmente os pacientes transplantados ficam três dias no CTI e na segunda de manhã ele já estava no quarto.”
Clermon permaneceu internado no hospital em Ribeirão até a última quarta-feira. Em entrevista ao Comércio, ele se emocionou e disse o que espera desta nova fase. Ele, que completa 47 anos no próximo dia 30, disse que a partir de agora tem duas datas para comemorar a vida no mês de abril. “Vou aproveitar esta oportunidade que Deus me deu de viver e ajudar o próximo com atitudes e um conselho, uma palavra amiga ou de apoio. Quero e espero que a doação de órgãos seja incentivada e mais pessoas possam sentir o que eu sinto agora. É sensação única, uma sensação de vitória.”
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