O Copom (Centro de Operações da Polícia Militar), que teve os serviços centralizados em Ribeirão Preto desde abril de 2013, recebe 7,3 mil ligações por dia. As chamadas para o famoso 190 partem de 36 cidades da região. Franca responde por uma média diária de 400 pedidos diversos de socorro. As informações foram obtidas com exclusividade pelo Comércio e revelam pela primeira vez o volume de ocorrências que os policiais despacham no call center unificado. Os números também ajudam a explicar os problemas e as queixas com relação à qualidade do serviço. Longas esperas e interrogatórios antes de ter o pedido de socorro atendido são as principais reclamações de quem precisa da ajuda da PM. Em que pesem as reclamações, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou - durante visita a Franca, na última segunda-feira, 21 - que a mudança é irreversível.
Entre o dia 1º e 23 de abril, o Copom recebeu 8.947 chamadas feitas a partir de Franca. A PM estima que a média mensal fique em torno de 12 mil. As ocorrências mais comuns são as de cunho social, como brigas em família ou entre vizinhos, perturbação de sossego, acidentes de trânsito sem vítima, informações diversas e auxílio ao público de maneira geral. Crimes respondem por 5%.
Em nota enviada à redação, o 15º Batalhão informou que os protocolos de atendimento seguem os mesmos padrões feitos quando o 190 funcionava em Franca. “A única diferença é que o solicitante é questionado sobre a cidade de onde está falando a fim de que a ocorrência seja despachada corretamente. Eventual demora do comparecimento de viatura no local, na maioria das vezes, não decorre do atendimento do 190 e, sim, do despacho de viaturas que é feito na cidade”.
Segundo a PM, saber a cidade e demais dados necessários é fundamental para um pronto atendimento. Coletadas as informações, disse a polícia, o aviso de ocorrência gerado é repassado ao despachador na hora. “Logo, tanto faz estar na mesma sala ou a quilômetros de distância. Por ser um sistema online não há perda de tempo neste procedimento”.
A Polícia Militar afirma que o tempo médio de resposta é de cinco a sete minutos contados da hora da chamada até o momento em que a viatura chega ao local para atendimento. “Ocorrem casos de menos de um minuto e situações extremas em que pode haver uma demora maior de até 15 minutos, porém são exceções. Em horários de pico são priorizadas as ocorrências de maior gravidade”, diz a nota.
Apesar das informações do comando da Polícia Miliatar - sobre as rápidas respostas -, essa não é a percepção da população usuária do serviço. Reclamações sobre o excesso de perguntas feitas pelos atendentes e de demora na chegada das viaturas são frequentes. Há meses, os vereadores tentam fazer com que o Copom volte para Franca. Ofícios foram enviados ao Comando da PM de São Paulo, à Secretaria Estadual de Segurança Pública e ao governador pedindo providências. “O 190 em Ribeirão não é eficiente. Só quem conhece a realidade das nossas ruas e está no local é que pode avaliar a situação e dizer o que precisa ser feito. Nós temos de tomar conta do nosso quintal, mas estamos abaixando a cabeça para outros tomarem conta de longe. Falta gestão na segurança pública para combater este câncer que é a violência”, disse o vereador e delegado Daniel Radaeli (PMDB) à reportagem.
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