Usuários enfrentam de mato alto a sol em pontos de ônibus em Franca


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Os cerca de 55 mil usuários que utilizam transporte coletivo em Franca todos os dias têm sofrido durante a espera pelos circulares. Os pontos de ônibus da cidade, principalmente nos bairros periféricos, estão em meio ao mato alto, em espaços sem calçamento, assentos ou coberturas. O Comércio percorreu a cidade e encontrou usuários do transporte público esperando pelo ônibus sob sol escaldante, sentados em tijolos ou em outros bancos improvisados e ainda se arriscando no meio da rua à espera do transporte. Eles se queixam da falta de cuidado da empresa São José, responsável pelo transporte coletivo na cidade, com os locais de parada de ônibus.
 
Um dos pontos precários fica na rua Guiomar Lourenço Soares Galves, no Jardim São Francisco. A estaca que sinaliza que ali existe um ponto quase não é vista em meio ao mato alto e está instalada em um espaço de chão batido. “Não tem condições de ficar perto da estaca do ponto de ônibus, temos que nos arriscar esperando no meio da rua. Sem contar que aqui é escuro e perigoso”, disse a pespontadeira Vanessa Gomes da Silva, que esperava pelo transporte. Já a auxiliar de farmácia Fabiana Silva Pereira improvisou um espaço para esperar o ônibus em meio ao matagal. “Tenho medo de esperar no meio da rua, então achei esse espacinho entre o mato”, disse. A reclamação da dona de casa Maria Luiza Borges é sobre a falta iluminação do lugar. “Não dá para pegar ônibus aqui à noite porque é escuro e com esse matagal tenho medo de aparecer algum bicho. Já mataram até cobra aqui”, contou Maria.
 
Outro ponto fica próximo ao número 2.575 da rua Alcina Lima Silveira, no Jardim Palmeiras. Há uma estrutura coberta sinalizando o ponto, porém, está em frente a um matagal e sobre um espaço sem calçamento. No local, a coladeira de peças Luzineide Silva e sua filha de seis anos esperavam pela condução. As duas estavam sentadas sobre um tijolo improvisado. “Tenho medo de sair bichos desse mato, mas não tem outro jeito”, disse. Já a dona de casa Neusa das Graças Couto optou por esperar o ônibus em pé. “O que adianta aqui ter cobertura se não tem nem calçada. Quando tenho que esperar pelo ônibus à noite fico na calçada do outro lado da rua pois tenho medo de que algum bandido se esconda nesse mato.”
 
O lugar é semelhante a outro ponto de ônibus na rua Santa Rosa, no Parque Santa Maria, onde também há cobertura, mas não há calçada ou banco.
 
Região central
A falta de estrutura nos pontos de ônibus também é percebida no Centro da cidade. A dona de casa Elaine Cristina Faustino costuma tomar ônibus no ponto próximo ao AME (Ambulatório Médico de Especialidades), na rua Ouvidor Freire, sempre que passa por tratamento no Ambulatório. Após uma das consultas na unidade, Elaine não estava se sentindo bem e se sentou na sarjeta até o ônibus passar. Na beirada da calçada, ficou com as pernas na rua, que é sempre movimentada. “Um lugar para sentar faz falta. Quando chove corro até o ponto perto do cemitério, pois, apesar de mais longe, pelo menos lá tem cobertura”, disse. Semanas após o Comércio entrevistar Elaine, o ponto de ônibus da Ouvidor Freire ganhou estrutura com cobertura.
 
Na avenida Chafic Facury, um dos pontos de ônibus também estava cercado por mato, em um lugar sem calçada e cobertura. Nas proximidades havia apenas um banco improvisado feito com madeira. Numa das paradas da avenida Jaime Tellini, no Residencial Ana Dorothéa, nem banco havia, mas o mato alto também foi encontrado no local.
 
Outro endereço com estrutura precária para passageiros de ônibus está na esquina da avenida César Martins Pirajá com a rua Denizar Trevisani. No lugar, há sinais que mostram que ali já existiu uma cobertura sobre o poste que sinaliza o ponto, mas a calçada é pequena e o espaço acaba cercado por mato alto.
 
Manutenção
Segundo Anselmo Diniz, advogado da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca), o edital de licitação para concessão do transporte público em Franca diz que a manutenção dos pontos de ônibus é de responsabilidade da empresa concessionária que atualmente é a São José. O edital também não diz se há obrigação da responsável colocar assento ou cobertura nos pontos de ônibus. 
 
O Comércio tentou contato com o diretor da São José, Delismar Rodrigues, mas ele se recusou a atender a reportagem. 
 
Adote um ponto
Existe hoje em Franca 670 pontos de embarque. Destes, 310 possuem cobertura, sendo 124 instalados por meio do programa “Adote um abrigo de parada de ônibus”, lançado em 2005. O projeto estimula empresas a subsidiarem a instalação de abrigos em pontos de ônibus. A empresa recebe em troca autorização, sem prazo de validade, para colocar propagada de sua marca no ponto por ela construído. As empresas interessadas em adotar um ponto de ônibus devem procurar orientação na Emdef.
 
De acordo com a lei de criação do programa, cabe à Emdef definir como será a estrutura e locais onde o abrigo será instalado. Já a manutenção do ponto é de responsabilidade da São José, segundo Anselmo.

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