Embates políticos são para quem gosta de política. Não é o meu caso. Se posso, evito, da mesma forma que evito embates religiosos e paixões clubísticas. No exercício de meu trabalho, calma, equilíbrio e distanciamento de paixões são recomendados, e, a cada dia tenho que me superar, já que tenho gênio ruim. Ainda assim, vou cumprir o que dita a consciência. Há situações que não se podem deixar para lá, e o prefeito Alexandre Ferreira, que tem gênio ruim como eu tinha há alguns anos, tem sido pródigo em cometê-las.
Eu já fui como ele. Antes, como ele hoje, eu não ouvia ninguém. Antes, como ele hoje, decidia intempestivamente, como dono da verdade. Antes, como ele hoje, contestado, o corajoso que ousasse provava minha fúria. Berrava e calava pessoas, especialmente se tivessem razão. Como o prefeito faz hoje, enfiava os pés pelas mãos. Fiz muitas amizades e achava que podia contar com elas, mas não. Ficavam próximas porque eu significava exposição pessoal e vaidades supridas. Dei um basta. Ainda hoje gente da época me conta algo. Penitencio-me. Dolorosamente, entendi tinha que mudar. As sequelas precisaram machucar para que eu compreendesse que nada do que achava essencial, era. Tornei-me diferente. A vida é simples, é fácil, e as pessoas respeitam quem é simples, quem as trata com respeito, as ouve. Foi assim que lavrei a regra de ouro para o recomeço: respeitar e ouvir. É difícil aceitar a sabedoria contida na afirmação ‘que só os homens vitoriosos se acercam de pessoas mais inteligentes que eles’.
Alexandre Ferreira, turrão como eu, ainda vai sofrer muito até aprender. É jovem e, politicamente, é inexperiente. Teve berço esplêndido e não dependeu de ninguém para ter o que teve. Não precisou enfrentar dificuldades nem para ser prefeito, apadrinhado por Sidnei Rocha.
Suas muitas e controversas atitudes do último ano e meio em que está prefeito, deixam claro que decide sozinho, não ouve ninguém, e a razão é simples: olhar soberano não permite apartes, pontos de vistas conflitantes. Centenas de cartas diariamente postadas no portal GCN.net demonstram que a população está surpresa. Ele deveria sim, continuar lendo este Comércio - cortou todas as assinaturas que órgãos municipais mantiveram por décadas - para manter-se informado sobre o termômetro social representado pelas ‘Cartas de Leitores’. E a temperatua da paciência da população anda nas alturas. .
‘CORTEM-LHES OS DEDOS’: Como disse, resisti a escrever. Entendia que, mais dia menos dia, Alexandre cairia em si, se penitenciaria e se sentaria para debater o que a população pensa sobre ele. Mas não. Continua tomando atitudes unilaterais, estranhas. Agora, cancelou, sem aviso, parceria municipal de oito anos com o Jornal Escola, do GCN, achando que, com isso, contra-atacaria quem pensa ser seu inimigo. Não pensou nas quase 10 mil crianças estudantes e nas dezenas de professores, coordenadores de ensino, diretores de escolas e gestores da Educação francana, agora órfãos de um programa educacional que consideram relevante e eficaz, e sem custos para o município. Decidiu, irredutível, como disse fonte da Secretaria da Educação. Não olhou para os olhos felizes de alunos que venceram concursos realizados pelo programa e levaram excelentes prêmios por suas performances, para casa. Não respeitou o desejo de aperfeiçoamento de seus professores. Fez sem, parece, nenhuma dor de consciência. Deve ter concluído, isolado lá com seus botões, que o GCN faz terrorismo quando estimula estudantes a exercitar a leitura e prepara professores para serem tutores da formação da consciência crítica de seus alunos. Mandou ‘cortar os dedos dos jornalistas’, para que não mais escrevessem sobre a verdade dos fatos... Penso que Sidnei, ao avaliar os resultados de seu ato final de ex-dirigente municipal - eleger o sucessor - deve estar estar se cobrando muito: ‘o que foi que eu fiz?’.
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
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