A UBS (Unidade Básica de Saúde) do Aeroporto I continua sem médico plantonista em tempo integral. Em uma segunda resposta aos questionamentos do Comércio, enviada via e-mail na noite da última quinta-feira (24), a secretária municipal de Saúde, Rosane Moscardini, afirmou que a equipe da Secretaria havia conseguido reestruturar as escalas de plantão médico e, portanto, haveria profissionais plantonistas 24 horas na unidade. A afirmação foi feita um dia depois de Rosane reconhecer que a UBS funcionava com emergencialistas 24 horas apenas aos sábados e domingos. Mas na mesma quinta-feira, antes de receber a mensagem eletrônica, a reportagem apurou que a UBS continuava sem plantonista em parte do dia. Ontem, o Comércio telefonou à UBS durante o dia e retornou ao local no início da noite, e a cena encontrada foi a mesma que se repete há pelo menos um mês: não havia médico emergencialista em determinados horários.
O primeiro contato foi feito pouco depois das 17 horas de sexta-feira - horário em que, nos últimos dias, os servidores da UBS estavam orientando os pacientes a voltarem para conseguirem atendimento. De acordo com a funcionária que atendeu a ligação, o plantonista havia começado a atender pouco antes das 17 horas, mas não tinha mais vagas disponíveis. “Acabou. O médico está atendendo, mas já acabaram as consultas para ele. Dá uma ligadinha mais à noite para saber se vai ter. Liga lá pelas sete, oito horas.”
O Comércio foi até a unidade no início da noite. Às 18h50 um outro médico plantonista deixou o local. A partir de então, mais uma vez, a UBS ficou sem profissional. A primeira paciente que saiu sem atendimento durante a presença da reportagem disse que, segundo as servidoras, teria plantonista na unidade só depois da meia-noite. Ao notar a equipe do Comércio no local, o diretor da UBS, Luís Gosuen, contradisse as funcionárias e garantiu que haveria um profissional às 20 horas. “Estávamos mesmo sem médico agora, mas liguei para o doutor e ele vem agora, às 20 horas. Pode passar ou ligar que ele estará aqui. Vem um à meia-noite, mas vem outro também agora, às oito.”
Sem atendimento
Enquanto não chegava o horário prometido pelo diretor para a chegada do médico, crianças, jovens e adultos continuaram a deixar o local sem passar pelo plantonista. “Falaram que talvez só às oito, mas não deram certeza. Se não, talvez, só depois da meia-noite”, disse a moradora do bairro Vanisse Nascimento. Outros moradores, como o pedreiro Geraldo da Silva, também não se conformavam. “Ia passar no médico, mas não tem. Essa UBS aqui não tem jeito mais, não. Está assim há muito tempo.”
As crianças também tiveram de enfrentar a difícil situação. Durante a ausência do plantonista, duas foram levadas até a UBS após caírem e se machucarem. O primeiro a chegar, um menino de 6 anos, foi encaminhado ao Pronto-socorro Infantil na ambulância da UBS. Mas antes de sair, o motorista avisou que não poderia esperar para levar a criança e os pais de volta ao bairro. O pai do garoto, que não quis se identificar, estava nervoso e revoltado. “Isso aqui é uma porcaria. Nunca tem médico. De dia, de noite, toda hora... Não sei por que não fecha.”
Poucos minutos depois, um outro menino de 3 anos chegou à unidade. Ele também foi encaminhado para o PS infantil, mas a família preferiu levar de carro a depender da ambulância.
Mais uma vez
Às 20h20 de ontem, o Comércio entrou novamente em contato com a UBS se passando por um paciente que iria à UBS caso tivesse um plantonista. Naquele momento havia médico na unidade, mas, segundo Gosuen, ele iria atender apenas uma quantidade determinada de pacientes e deixaria o local. “Ele vai atender 40 (pacientes) e vai embora. Depois, vou ter médico só à meia-noite e meia.”
Outro lado
Nos e-mails em resposta aos questionamentos do Comércio, a secretária de Saúde, Rosane Moscardini, afirmou que a falta de emergencialistas é decorrente de pedidos de demissão, que não têm relação com o corte nas horas extras. Mas, sim, porque tinham contrato de trabalho provisório.
Questionada se a UBS do Aeroporto havia deixado de ser 24 horas devido às constantes ausências de plantonistas no local, Rosane negou. “A escala está completa. Passamos por um momento de demissões e falta de alguns profissionais médicos, porém, conseguimos sanar esta situação. Os pacientes que necessitavam de atendimento de urgência/emergência no momento da falta desses profissionais foram encaminhados/transportados para o Pronto-socorro ‘Dr. Álvaro Azzuz’. A UBS Aeroporto I não deixou de ser 24 horas”, disse Rosane, contrariando a realidade enfrentada pelos pacientes que procuram atendimento na unidade.
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