‘Rei’ na Franca do Imperador


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Um administrador público, alguém que se diz político deve, antes de tudo, agir em consonância com os anseios da comunidade pela qual foi eleito. Um mandato, transitório que é, exige dedicação, bom senso, uma grande capacidade de reconhecer os próprios erros e humildade para voltar atrás em seus atos. Quem não aceita críticas não pode se meter em política. Ainda mais quando intransigência, ausência de capacidade administrativa e, acima de tudo, autoritarismo são traços de personalidade e característica de comportamento que levam à tomada de medidas marcadas pelo rancor e pela vingança, desconsiderando-se por completo os eleitores. 
 
Esta descrição, muitos já perceberam, casa à perfeição com o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), que faz uma das piores administrações da história de Franca, com repertório bastante amplo de sandices, as quais desfia em borbotões e sem qualquer pejo. Travestido de rei, nem na antiga Vila Franca do Imperador se teria notícia de tamanha incapacidade administrativa e política. Ainda não chegou à metade de seu mandato e já conseguiu desagradar até aqueles aliados que deveriam defendê-lo. Age de forma autocrática e manda às favas os interesses da população francana.
 
No último capítulo de estultícias, Alexandre Ferreira resolveu encerrar uma parceria de oito anos que garantia o acesso de professores e alunos a um dos programas educacionais de maior sucesso da rede municipal de ensino, o Jornal Escola. Sem qualquer aviso informal ou comunicado oficial, as mais de 40 escolas municipais inscritas no Jornal na Sala de Aula, organizado e oferecido gratuitamente pelo GCN, que publica este Comércio, não participam mais do programa. Na primeira oficina que abriria os trabalhos deste ano, na noite de anteontem, apenas três professoras da rede municipal compareceram. O auditório ficou vazio.
 
Assim como fez com o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas), que vinha sendo desenvolvido pela Polícia Militar junto às escolas municipais, o chefe do Executivo francano anunciou ontem que o Jornal Escola será substituído por um programa próprio da Prefeitura. Movido por uma vaidade que não encontra paralelo na política francana, Alexandre Ferreira acredita que impedindo as escolas municipais de receberem 400 exemplares do Comércio diariamente, sem qualquer ônus para as próprias ou para a municipalidade, vai conseguir melhorar o pífio trabalho que vem fazendo à frente da Prefeitura. Assim como o fim do Proerd, Ferreira acredita que vai conseguir anular as críticas com esta sua atitude. É no mínimo infantil. 
 
Porém, o Jornal Escola, cujo embrião surgiu na década de 1980, vai continuar. Sem qualquer compromisso com ideologias ou qualquer órgão público, o projeto prossegue de portas abertas às escolas, professores e estudantes que queiram dele participar, em que pese a opinião do prefeito. Obtuso, ele não entende que independe de sua vontade a sequência deste trabalho.
 
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