A decisão do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) de colocar um fim na parceria de oito anos entre a Secretaria Municipal de Educação e o GCN, proibindo professores e alunos de participarem do programa Jornal Escola, que oferece gratuitamente oficinas pedagógicas para os docentes, distribui gratuitamente quase 200 mil exemplares do jornal às escolas participantes e ainda concede diversos prêmios por ano, foi duramente criticada pelos vereadores. Dos 12 parlamentares ouvidos pelo Comércio, 11 elogiaram o Jornal Escola e lamentaram o fim da parceria. Apenas o presidente da Câmara, Jépy Pereira (PSDB), preferiu não se posicionar.
Os vereadores também foram pegos de surpresa. “Soube do cancelamento pelas redes sociais. Depois, li o Comércio da Franca. Confesso que fiquei perplexo. Me lembrou muito o caso do Proerd, o programa de erradicação das drogas (da Polícia Militar), que também foi cancelado. O Jornal Escola é um projeto gratuito, muito elogiado. Esse rompimento é uma perda irreparável para a Educação, em um momento em que estamos enfrentando uma crise educacional”, disse o vereador Daniel Radaeli (PMDB), que também é delegado da Polícia Civil.
Um dos mais críticos foi Luiz Carlos Vergara (PSB), que emitiu uma nota oficial a respeito de seu posicionamento. “As atitudes do prefeito são danosas aos esforços que todas as pessoas de bem desenvolvem para melhorar a qualidade do ensino, que é obrigação do governo. Proibir as escolas municipais de participarem é provocar um retrocesso incompreensível”, escreveu. Vergara estuda a possibilidade de apresentar uma moção de repúdio à medida tomada pelo prefeito.
O vereador Pastor Otávio (PTB) também criticou a decisão de Alexandre Ferreira. “Lamento profundamente. Dois dos meus filhos participaram deste programa e se tornaram cidadãos melhores e mais críticos, interessados na vida de Franca. Não consigo entender as razões que levaram o prefeito a tomar esta atitude. Na minha opinião, ele deveria rever seu posicionamento”, disse.
O pastor ainda informou que deve utilizar a tribuna na próxima sessão da Câmara para externar seu pensamento. “Infelizmente, como vereador, não tenho como mudar ou intervir nas decisões do Executivo. Mas, como político, tenho o dever de me manifestar. Acho que os problemas políticos entre o prefeito e o jornal não deveriam afetar programas tão importantes quanto o Jornal Escola.”
Até vereadores que sempre apoiam Alexandre Ferreira criticaram o fim da parceria. “O projeto é muito bom. Eu mesmo já levei diversas turmas dos meus projetos sociais para conhecer o Jornal Escola. É um aumento de aprendizagem, de experiências. O fim da parceria é um prejuízo. Acredito que o prefeito deveria repensar”, disse Claudinei da Rocha (PP).
A vereadora Valéria Marson (PSDB) também disse que questões políticas não deveriam atingir programas educacionais. “O Jornal Escola já estava implantado com sucesso. Estava funcionando muito bem. Acho que o prefeito não deveria mexer em algo que ia bem.”
O líder do governo na Câmara, o vereador Marco Garcia (PPS), evitou criticar a atitude de Alexandre Ferreira, mas elogiou o projeto. “Pelo que sei, o programa é muito bom e bem aceito pelos professores e alunos. Ainda não conversei com o prefeito para saber o que motivou essa decisão, mas, a princípio, por se tratar de um programa gratuito, acho que poderia ser mantido.”
O único que não se posicionou a respeito foi Jépy Pereira. “Eu não li o jornal, não sei do que se trata. Não tenho opinião formada a respeito. Não tenho uma resposta para lhe dar”, disse à reportagem.
Os vereadores Adérmis Marini (PSDB) e Laércio Miguel Mathias, o Laercinho (PP), não foram encontrados. Os dois estavam em Brasília e não atenderam as ligações feitas para os respectivos celulares. Márcio do Flórida (PT) também não foi encontrado. Ele viajou para São Paulo.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.