O projeto Circuito Sesc de Artes, que começou a ter seu conceito desenvolvido em 1998, amplia a proposta de levar cultura a cidades órfãs de Sesc fazendo uso de uma logística de guerra a partir de hoje, dia 25. Com o subtítulo Conectando Lugares, o circuito vai levar shows gratuitos para cidades de interior, litoral e Grande São Paulo até 11 de maio. Caravanas de ônibus vão seguir 12 roteiros diferentes. Sindicatos de comércio locais e prefeituras, juntos ao Sesc, acertarão a infraestrutura de apresentações que serão sempre em praças públicas.
Em Franca, o circuito será no domingo, dia 27, e vai contar com musicais, teatro, dança, poesia e outras manifestações artísticas. O roteiro inclui o quadro Liberte a Poesia, da Cia. Clara Rosa. A ideia é convidar o público a declamar, cantar e ‘destrancar’ palavras e versos engaiolados. A missão é libertar a poesia que fica ‘presa’ nas pessoas. As outras atrações são o filme Brinquedos Óticos, com direção de Nanda Ribeiro e Mazzon Gil; seguido da peça teatral O Vendedor de Palavras, do grupo Teatro Mototóti, do Rio Grande do Sul, com 45 minutos de duração e direção de Arlete Cunha, baseada em crônica de Fábio Reynol. Na sequência, está programado o show de dança Jam 1mm, espetáculo focado na improvisação, onde o público é convidado mais uma vez a participar de coreografia inspirada no jazz, ao som de famosos hits dos anos 80 e 90. Fechando a programação, o espetáculo circense Pelada na Rua, com Alexandre Rojt, de São Paulo e musical Mundo Livre S/A, de Pernambuco. (Mais informações sobre a programação em Franca podem ser obtidas na Feac, 3711-9569).
De 2012 para cá, o crescimento da maior investida cultural da entidade ficou visível: as 66 cidades visitadas viraram 102. A programação musical conta com Emicida, Mundo Livre S/A, BNegão & Seletores de Frequência, Pedro Luís, Karina Buhr (cantando Secos & Molhados), Cidadão Instigado (tocando Pink Floyd) e Hermeto Pascoal. A operação apresenta números superlativos. Ao todo são 18 unidades mobilizadas para uma programação itinerante de 591 apresentações. Somando música às áreas de teatro, artes visuais, circo, dança, literatura, arte-mídia, artes visuais e cinema, chega-se a 66 trabalhos de 370 artistas. Ou 510 horas de programação.
Danilo Santos Miranda, diretor regional do Sesc-São Paulo, chama a investida de ‘varredura cultural’. Ele diz sentir carência de cultura em cidades menores. ‘Cultura em alguns lugares é raro, é difícil, é tudo muito igual, baseado naquilo que já está estabelecido, feito para agradar a todos em um final de semana. É quase tudo massificado. Por isso é importante levarmos uma marca de qualidade. Nossa tentativa é sempre encantar e provocar, o que eu considero as duas máximas da arte.’
Hermeto Pascoal vai sair em uma das caravanas. Sua turnê começa hoje, em São Roque, e segue para Itu no sábado, Praça da Independência; e Votorantim no domingo. ‘Fazemos muito isso na Europa, mas aqui no Brasil são poucas iniciativas. Vou porque vale a pena’.
BNegão vai fazer shows em São Bernardo do Campo, Casa Branca, Mococa, São João da Boa Vista, Poá e Suzano. No caminho, faz ainda uma parada no Sesc Santos. ‘Sei que a galera de São Bernardo está sempre presente em nossos shows. Nas outras cidades, não sei muito o que esperar, mas posso dizer que vamos fazer o bicho pegar.’
Danilo diz que tem como desafio pessoal inaugurar unidades do Sesc em todas as cidades de São Paulo com média de 100 mil habitantes. ‘Temos ainda um déficit de unidades na Grande São Paulo. Quero chegar mais à zona leste e à zona oeste da cidade, apesar de já estar em Itaquera e no Belenzinho.’ Uma discussão recorrente sobretudo entre o público do Sesc e os músicos: esta entidade privada não faz aquilo que os governos deveriam fazer por suas cidades? ‘Eu estava agora há pouco em Bogotá para um festival de teatro e as pessoas de lá me perguntavam se o Sesc era um tipo de ministério da Cultura. Acabamos tendo mesmo um objetivo de caráter público.’ E segue a questão que sempre retorna quando o próprio levanta a bola. Danilo Santos Miranda é uma possibilidade para ocupar o Ministério da Cultura? ‘Eu já me interessei mais por isso, mas estou cada vez mais distante. O mundo político não me atrai. O mundo das composições, dos acertos. Um mundo no qual o que importa é a conquista e a manutenção do poder.’
ONDE ASSISTIR
Circuito Sesc de Artes
Onde: Praça Nossa Senhora da Conceição, (Concha Acústica)
Quando: 27 de abril, domingo, das 16h às 21h.
Entrada Franca
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