Assisti à montagem brasileira de Jesus Cristo Superstar, musical de Tim Rice e Andrew Lloyd Webber. Já havia visto a peça em Madri há alguns anos, e tenho os DVDs de duas montagens em língua inglesa, uma de 2000 e outra de 2012. Ao chegar na porta do teatro, deparamo-nos com um grupo de ‘católicos’ rezando o terço, e falando em megafones sobre a ‘blasfêmia’ que é peça, com direto a banda de música, faixas e cartazes. Está claro que eles não conhecem a peça que estão criticando.
Em nenhum momento da peça a figura de Jesus é desrespeitada, e há momentos de absoluta fidelidade aos Evangelhos, como a expulsão dos vendilhões do tempo; a Santa Ceia, com a instituição da Eucaristia; e a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras. Como católico praticante, senti-me envergonhado por aquelas pessoas na porta do teatro, que apenas demonstraram fanatismo, ignorância e falta de cultura. Vi maior desrespeito à religião católica nessa manifestação do que na peça em si.
Até a famosa e já cansativa polêmica a respeito de Maria Madalena mostra um Jesus centrado em seus propósitos salvadores de Filho de Deus, ignorando as eventuais investidas da mulher, que em nenhum momento da peça mostrou-se sensual ou insinuante. Ao contrário, na maravilhosa música Não sei como amá-lo ela questiona o seu sentimento, mas respeita o sono de Jesus...
Gosto muito da peça, já vi pelo menos quatro versões, e só posso elogiar a montagem de Jorge Takla, com destaque para atuações impecáveis dos brasileiros, com destaque para o Jesus do surpreendente Igor Rickli, a Madalena de Negra Li e o Judas de Alírio Neto. Cada vez mais, o Brasil mostra que tem profissionais de teatro que nada ficam a dever a Londres, Broadway, Argentina, México, Espanha e Portugal, países em que esses musicais têm sido montados nos últimos anos.
Hermes Falleiros
Médico
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