Mente sã


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Um amigo costuma dizer que não devemos levar a vida tão à sério, pois ela acaba por se vingar, e a vingança vem em forma de depressão, ansiedade, insônia e todas as desagradáveis manifestações físicas e psicológicas que acabam minando nossa vitalidade e reduzindo a alegria de se viver. 
 
Levar a vida de maneira mais amena, obviamente, não significa ser inconsequente, não ser determinado ou obstinado, não ter, traçar e buscar objetivos e metas e persegui-los como o caçador à presa.
 
É apenas tentar entender as próprias derrotas, fragilidades pessoais e alheias, desculpar as ofensas recebidas, elogiar mais que ofender, não colocar o mundo nas costas, não buscar lucro a qualquer preço, prestigiar mais vitórias coletivas que as individuais e, principalmente, não se frustrar em demasia quando as coisas não acontecem como o esperado. 
 
Também, estar sempre pronto para um recomeço. Se cair, saber levantar e sacudir a poeira. Ter senso de humor. Enfim, é preciso ter um ‘caso de amor com a vida’, saboreando conquistas, mesmo as que, aos olhos dos outros, possam parecer inexpressivas e insignificantes. 
 
É óbvio que a criatura que leva a vida com menos cobranças e culpas, perdoando mais que sendo perdoado, estando mais ocupado que preocupado, sem antecipar tragédias improváveis, acaba por ser pessoa de convívio mais agradável, mais feliz e, podem acreditar, imune a doenças da alma e do corpo.
 
A máxima ‘mente sã em corpo são’, não tem o sentido único que academias de cultura física defendem. Tem duplo sentido. 
 
Corpo sadio repercute na mente, assim como a mente sadia favorece a higidez física. Aquele meu amigo também costuma dizer, em tom jocoso, que morre-se mais fazendo exercícios físicos sem acompanhamento médico, do que convivendo com amigos fraternos, contando bons causos e boas piadas, frente a uma boa cerveja ou bom vinho. Concordando ou não, reflita. 
 
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
 

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