Nossa contista Milla de Souza está de volta. Depois de nos contar uma história do reino animal, onde a protagonista foi a formiguinha azul, ela nos relata algo do reino vegetal, com plantas, flores, jardins. Trata-se agora de uma pequena aventura de uma flor miúda mas graciosa: a margarida. Conheça as peripécias da margaridinha.
Era muito menor que todas as outras flores do jardim. Charmosa e miudinha, chamava-se Rosinha, mesmo sendo uma margaridinha.
Sonhava em poder pular corda e ficava avermelhada de raiva por viver plantada no chão, com suas raízes na terra.
_Poxa vida, que chatice, eu não posso pular! – Dizia isso para todo mundo.
A miudinha era mesmo uma baixinha muito da encrenqueira.
Fazia sol e era uma destas manhãs que nascem morninhas com uma chuva fina de ajudar a fazer arco-íris.
Todos os animais e pequenos insetos brincavam na grama. As joaninhas enchiam de bolinhas a paisagem e os grilos tocavam as músicas de suas bandas preferidas, uma rã pernuda dançava balé.
Borboletas voavam para fazer provocação ao redor da marrenta margaridinha, e esta como sempre reclamava o tempo todo.
Foi como um susto, e de repente a florzinha sentiu uma vontade incontrolável de dar risadas. Gargalhou tanto que doeu até suas folhas, balançava-se e curvava o caule de lá para cá de forma engraçadíssima.
Aguinaldo, uma minhoca macho que trabalhava do outro lado, perto das roseiras, resolveu pegar um atalho e passou justamente por baixo dos pés de raízes da Rosinha e fez muita cosquinha.
Ela ficou muito feliz e pensou que rir gostoso assim era melhor que pular cordas, era como voar. A miudinha do jardim já não era mais uma rabugenta.
Milla Souza
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